PUBLICIDADE John Bolton, um dos falcões da Guerra ao Terror do início do Século XXI, pode ser condenado à prisão por reter as informações para uso próprio, mesmo sem usá-las em livro de 2020 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, na saída de tribunal no estado de Maryland — Foto: Al Drago/Getty Images/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/06/2026 - 15:56 John Bolton se Declara Culpado por Uso Indevido de Documentos Sigilosos dos EUA John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, declarou-se culpado por uso indevido de documentos confidenciais, crime que pode levá-lo à prisão por até cinco anos. Bolton, crítico de Trump, foi multado em US$ 2,25 milhões e perdeu a pensão pública. A investigação começou em 2020 e envolvia o uso de informações para um livro sobre seu tempo na Casa Branca. A defesa alega que Bolton assumiu a responsabilidade para evitar exposição de mais dados sigilosos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ex-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA John Bolton se declarou culpado por usar indevidamente documentos sigilosos do governo americano para uso pessoal, em um caso que pode levá-lo à prisão. Bolton, um algoz do presidente Donald Trump (para quem trabalhou em seu primeiro mandato), também foi obrigado a pagar uma multa milionária, e chegou a se desculpar no tribunal. A admissão de culpa veio como parte de um acordo com a promotoria para evitar que fosse a julgamento por todas as 18 acusações iniciais, e recebesse uma pena que, de acordo com juristas, poderia chegar a algumas décadas em regime fechado. Agora, a expectativa é de que seja sentenciado a até cinco anos de prisão, relativos à acusação sobre uso indevido dos dados, além de multa de US$ 2,25 milhões e da perda da pensão pública. — Sou [culpado], meritíssimo, e lamento por isso — disse Bolton ao juiz Theodore Chuang nesta sexta-feira, ao ser perguntado sobre a declaração de culpa. A investigação contra Bolton começou em 2020, último ano do primeiro mandato de Donald Trump, quando o ex-conselheiro de Segurança Nacional já havia se tornado um ácido crítico do republicano. Segundo os promotores, ele usou aplicativos de mensagens e o e-mail pessoal para repassar ao menos mil páginas de notas e detalhes sobre suas atividades na Casa Branca para parentes sem credenciais de segurança. A promotoria destacou ainda que a conta de e-mail de Bolton foi hackeada por uma pessoa supostamente ligada ao Irã, mas que as autoridades federais, ao serem acionadas, não foram informadas que “a conta continha informações de defesa nacional — incluindo informações sigilosas — que Bolton havia inserido nela durante o período em que atuou como conselheiro de segurança nacional”. Em outubro do ano passado, quando um processo foi aberto contra Bolton em um tribunal federal de Maryland, ele afirmou que se tratava de uma represália da Casa Branca, mas mudou o tom ao longo das investigações e perspectivas cada vez maiores de condenação. — Ninguém está acima da lei — disse Kelly Hayes, procuradora dos EUA em Maryland, a jornalistas do lado de fora do tribunal. — Espero que esta acusação envie uma mensagem clara de que iremos investigar e processar vigorosamente os indivíduos que violam as nossas leis de segurança nacional, sem medo e sem favor. Já a defesa de Bolton declarou, em comunicado, que ele “fez o que líderes de verdade fazem”, assumindo “a responsabilidade por um erro que cometeu, poupando assim recursos do governo que seriam gastos na condução de um caso capaz de expor outras informações sigilosas”. O texto ainda traz críticas ao presidente Trump e seus processos na Justiça, que incluíam acusações de uso indevido de documentos oficiais da Casa Branca. O ex-assessor de segurança nacional do presidente Donald Trump, John Bolton, foi indiciado por um grande júri federal em 16 de outubro de 2025, informou a imprensa americana — Foto: SAUL LOEB / AFP Um dos mais conhecidos nomes da Guerra ao Terror, lançada pelo presidente americano George W. Bush após os ataques de 11 de Setembro de 2001, John Bolton apoiou efusivamente as guerras no Iraque e Afeganistão, e é um feroz crítico do papel das Nações Unidas. Em 2005, em uma decisão que chocou diplomatas e o meio político americano, foi nomeado embaixador dos EUA na organização, em um mandato marcado por embates e pela renúncia abrupta ao final de 2006. Onze anos depois, aceitou o posto no Conselho de Segurança Nacional de Trump, e foi um dos que convenceram o presidente a rasgar o acordo nuclear com o Irã em 2018. No ano seguinte, ele demitido pelas redes sociais. Recentemente, retornou à TV como comentarista de defesa, e inicialmente apoiou a guerra de EUA e Israel contra o Irã — um antigo desejo seu —, acreditando que seria o caminho para uma mudança de regime. Posteriormente, criticou o que chamou de falta de nitidez nos objetivos do conflito, e afirmou que as negociações, da forma como ocorreram, impuseram uma derrota ao governo americano. — Ainda não sei quais eram os objetivos — disse ao canal News Nation, na quarta-feira. — Eu achava, assim como acredito que muitos outros achavam no início, que talvez se tratasse de uma mudança de regime. Mas não fizemos o trabalho de base que deveríamos ter feito.