Segundo fontes ouvidas sob anonimato pelo New York Times, E. Jean Carroll, 82, tornou-se o mais recente alvo de uma campanha da administração contra inimigos do líder republicano E. Jean Carroll deixa tribunal em Manhattan em setembro de 2024; Departamento de Justiça abriu investigação criminal contra a escritora — Foto: Dave Sanders/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 10:22 EUA investigam E. Jean Carroll por perjúrio em casos contra Trump O Departamento de Justiça dos EUA iniciou uma investigação criminal contra E. Jean Carroll, escritora que acusou Donald Trump de abuso sexual, por suspeita de perjúrio em processos civis. A investigação, liderada por Andrew Boutros, surge em meio a acusações de retaliação política contra críticos de Trump. Carroll já obteve indenizações significativas em ações judiciais contra o ex-presidente. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal contra E. Jean Carroll, escritora de 82 anos que acusou Donald Trump de agressão sexual, segundo duas pessoas com conhecimento direto do caso. A apuração busca determinar se Carroll cometeu perjúrio nos processos civis movidos contra o republicano, de acordo com uma das fontes, que falou sob condição de anonimato por se tratar de uma investigação em andamento. Carroll venceu uma ação na qual Trump foi considerado responsável por abuso sexual e difamação, recebendo uma indenização de US$ 5 milhões — decisão que o presidente pediu à Suprema Corte, em novembro passado, que fosse revertida. Em outro processo por difamação, ela também obteve uma indenização de US$ 83,3 milhões. A investigação marca mais um capítulo da campanha de retaliação promovida por Trump por meio do Departamento de Justiça. Diversas figuras que moveram ações civis ou criminais contra o presidente passaram a ser alvo de escrutínio do órgão, entre elas o ex-diretor do FBI James Comey, a procuradora-geral de Nova York Letitia James e outros adversários políticos do republicano. Segundo a fonte, a investigação foi aberta por Andrew Boutros, procurador federal indicado por Trump para o Distrito Norte de Illinois. Todd Blanche, procurador-geral interino, teria se declarado impedido de atuar no caso devido à sua representação anterior como advogado de Trump, embora integrantes da cúpula do Departamento de Justiça participaram da investigação. Momento delicado A apuração ocorre em um momento delicado para o Departamento de Justiça, que aparenta estar cada vez mais alinhado a Trump. O presidente vem enfrentando pouca resistência interna enquanto intensifica sua campanha de retaliação contra pessoas que o acusaram, desafiaram ou contrariaram ao longo dos últimos anos. Blanche tem conduzido agressivamente investigações contra alvos frequentes de Trump. No mês passado, o departamento denunciou Comey, ex-diretor do FBI, por uma publicação nas redes mostrando conchas dispostas na forma nos números “86 47”, interpretados pelos promotores como uma ameaça ao presidente. Comey afirmou que não associava a expressão à violência e negou qualquer irregularidade. A campanha de vingança política de Trump ganhou força em setembro passado, quando ele cobrou publicamente que a então procuradora-geral Pam Bondi avançasse com processos contra adversários políticos. Poucas semanas depois, um procurador recém-escolhido no Distrito Leste da Virgínia denunciou Comey e Letitia James. Ambos os casos acabaram rejeitados por um juiz e, apesar da nova denúncia contra Comey apresentada no mês passado, o Departamento de Justiça vem encontrando dificuldades para avançar em várias ações. Abuso sexual As acusações feitas por Carroll estão entre as mais graves já direcionadas a Trump, que há anos tenta desacreditá-la publicamente. Antes do primeiro julgamento, os advogados do presidente enviaram uma carta ao juiz acusando a escritora de ocultar apoio financeiro recebido de Reid Hoffman, bilionário cofundador do LinkedIn e crítico de Trump. Segundo a defesa do presidente, a revelação posterior do financiamento levantava “questões significativas” sobre a credibilidade de Carroll. Já os advogados dela argumentaram, em carta própria ao tribunal, que o apoio financeiro de Hoffman não tinha relação com as alegações jurídicas apresentadas e que Carroll não participou da obtenção dos recursos. Em maio de 2023, um júri federal em Nova York concluiu que Trump abusou sexualmente de Carroll em um provador da loja Bergdorf Goodman em meados da década de 1990. O júri também considerou que o presidente a difamou ao afirmar, em sua rede social, que o caso era uma fraude e uma mentira. Carroll recebeu uma indenização de US$ 5 milhões, decisão mantida em recurso em dezembro de 2024, um mês antes de Trump tomar posse para seu segundo mandato. Na ocasião, um painel de três juízes da Corte de Apelações do Segundo Circuito rejeitou por unanimidade o pedido do presidente para um novo julgamento, afirmando que Trump “não demonstrou que a corte distrital errou em nenhuma das decisões contestadas”. Neste mês, Trump conseguiu adiar outro processo por difamação no qual Carroll recebeu US$ 83,3 milhões, após julgamento realizado em Manhattan em janeiro de 2024. O valor incluía US$ 65 milhões em danos punitivos, depois que o júri concluiu que Trump agiu com malícia ao difamá-la. Os advogados de Carroll argumentaram que uma indenização elevada era necessária para impedir o presidente de continuar os ataques públicos, feitos em entrevistas, publicações e até no julgamento. Trump, que não depôs no primeiro processo movido por Carroll, prestou um breve depoimento no segundo julgamento. O veredito de US$ 83,3 milhões também foi mantido por unanimidade pela Corte de Apelações do Segundo Circuito. O tribunal afirmou que Trump “nunca vacilou ou recuou em seus ataques públicos” contra Carroll e destacou que ela passou a sofrer assédio público como consequência das declarações do presidente, incluindo ameaças de morte e agressão física. A corte decidiu, porém, que Trump não precisaria pagar imediatamente a indenização, já que pretende recorrer à Suprema Corte. Violação às regras Ainda não está claro por que a investigação contra Carroll está sendo conduzida por Boutros, baseado em Chicago, embora uma organização sem fins lucrativos ligada a Hoffman tenha sede na cidade. A liderança do Departamento de Justiça também vem recorrendo a um mecanismo que permite transferir casos para procuradores escolhidos em diferentes partes do país, independentemente de onde os supostos crimes tenham ocorrido. Foi o que aconteceu na investigação contra John Brennan, ex-diretor da CIA, atribuída ao procurador federal de Miami Jason Reding Quiñones. Segundo ex-integrantes do governo, ele foi escolhido por demonstrar maior disposição para levar adiante um caso considerado questionável por outros escritórios. A atuação de promotores sob supervisão de Boutros também passou a ser alvo de críticas nos últimos dias. Na última quinta-feira, ele anunciou que seriam retiradas acusações de contravenção contra manifestantes que protestaram do lado de fora de um centro de detenção de imigrantes próximo de Chicago no ano passado. Durante uma audiência no centro da cidade, Boutros afirmou que possíveis irregularidades cometidas por promotores durante o processo perante o grande júri levaram ao arquivamento das acusações. Advogados de defesa afirmaram que promotores subordinados a Boutros conversaram individualmente com integrantes do grande júri fora da sala de audiência, em violação às regras do processo.
Departamento de Justiça dos EUA abre investigação criminal contra escritora que acusou Trump de abuso sexual
Segundo fontes ouvidas sob anonimato pelo New York Times, E. Jean Carroll, 82, tornou-se o mais recente alvo de uma campanha da administração contra inimigos do líder republicano










