Ir à missa alivia o corpo e o espírito? A prática de rituais religiosos libera substâncias químicas que fortalecem vínculos sociais e até aumentam o limiar de percepção da dor, segundo um estudo realizado no Brasil e no Reino Unido.

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que opioides produzidos naturalmente pelo organismo, como a betaendorfina, desempenham papel importante no apego social entre animais e nas relações humanas.

Essas "substâncias químicas do bem-estar" são liberadas durante determinados comportamentos, contribuindo para fortalecer o sentimento de pertencimento, explica à AFP Valerie van Mulukom, coautora do estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B.

Nos macacos, isso ocorre principalmente durante sessões de limpeza mútua. Em sociedades humanas numerosas, porém, as interações individuais não bastam para criar laços entre centenas ou milhares de pessoas.

Segundo uma teoria do biólogo evolutivo britânico Robin Dunbar, "desenvolvemos certos comportamentos que nos permitem produzir as mesmas substâncias químicas que nas interações cara a cara, mas em uma escala muito maior", afirma Van Mulukom.