Maria tem 26 anos, é esteticista autônoma e assinou uma apólice. Ela não tem dependentes, mas sim consciência de risco Divulgação — Foto: Divulgação Por muito tempo, a lógica era simples: seguro de vida era para quem tinha filhos, cônjuge ou patrimônio a proteger. A Geração Z está desfazendo essa equação. Jovens de 20 e poucos anos, muitos sem dependentes e ainda construindo sua independência financeira, estão contratando apólices por uma razão que as gerações anteriores raramente consideravam: o medo de não poder trabalhar. É o caso de Maria, 26 anos, esteticista autônoma e cliente da Avantar, franquia especializada em gestão de riscos e planejamento patrimonial. Sem carteira assinada, sem INSS robusto e sem plano de saúde corporativo, ela optou por um seguro modular com coberturas para doenças graves e telemedicina. Não porque imagina morrer em breve, mas porque sabe que um diagnóstico grave pode interromper sua renda do dia para a noite. "A Geração Z não compra seguro de vida pensando em morrer. Ela compra pensando em não poder trabalhar. Para o autônomo, para o freelancer, para quem tem múltiplas fontes de renda, a incapacidade é o risco real. O produto que esse público busca é proteção de renda, não apólice de morte", afirma Daniel Neves, CEO e fundador da Avantar. Os números confirmam a mudança. Segundo dados da Susep, o seguro de vida registrou crescimento real de 12,35% em 2025. O Relatório Mundial de Seguro de Vida 2026, da Capgemini e LIMRA, aponta que 68% dos adultos com menos de 40 anos reconhecem o seguro como essencial para garantir estabilidade financeira no futuro. Mas o dado mais revelador está no tipo de cobertura que essa geração escolhe: 81% dos jovens entre 18 e 25 anos possuem planos com coberturas utilizáveis ainda em vida, segundo levantamento da Azos. Doenças graves, invalidez, telemedicina. Não morte. No Brasil, 52% dos jovens da Geração Z não têm planos imediatos de casamento e 81% não planejam ter filhos no curto prazo, segundo o mesmo relatório. Os gatilhos tradicionais que levavam alguém a contratar um seguro, família constituída e patrimônio acumulado, simplesmente não se aplicam mais ao perfil dessa geração. O produto precisou mudar de narrativa para chegar até ela. Para Neves, o mercado ainda está aprendendo a fazer essa tradução. "O jovem pesquisa muito, compara e abandona o processo na primeira burocracia. Quem simplificar a linguagem e a jornada de contratação vai conquistar essa geração por décadas. Quem insistir no modelo antigo vai perdê-la antes mesmo de começar a conversa", conclui.