0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos — Foto: Dado Galdieri / Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/06/2026 - 10:25 Negociadores brasileiros criticam "teimosia política" dos EUA em tarifas comerciais Negociadores brasileiros expressam cansaço diante da "teimosia política" dos EUA nas discussões sobre tarifas impostas a produtos do Brasil. A 19 dias do prazo para contestar a taxação, há pouco otimismo quanto à reversão das tarifas. A crítica central é a falta de justificativa racional na política externa americana, vista como ideológica, sobretudo considerando que o Brasil, não os EUA, é deficitário na balança comercial bilateral. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Cansaço. Essa é a sensação descrita por um dos negociadores à frente das tratativas com os Estados Unidos sobre as novas tarifas impostas às importações de produtos brasileiros. Em conversa com o blog na manhã desta sexta-feira, a 19 dias do fim do prazo concedido pelo governo americano para que o Brasil apresente seus argumentos contra a nova taxação, a avaliação é de que há pouca esperança de reversão das tarifas — como já havia antecipado Míriam Leitão em sua coluna de quinta-feira. O problema, segundo essa fonte, é que "não há argumento racional para a política externa adotada pelos Estados Unidos em relação ao Brasil". A percepção dos negociadores é de que prevalece uma teimosia de natureza política. — É muito cansativo. A gente argumenta, e eles dão razão nas conversas bilaterais. Então, parece haver uma teimosia de ordem política, de outra natureza. E o que você faz quando existe um viés ideológico? Porque está sendo ideológico, claramente. Não há argumento pragmático nem racional para essa política externa dos Estados Unidos em relação ao Brasil. Não faz nenhum sentido o que está acontecendo. Esse é o ponto. Usamos todos os argumentos, mas eles respondem com outros artifícios. Então é muito cansativo. Essa é a verdade. Ao relembrar que foi o grande déficit comercial com a China o principal argumento para justificar a política protecionista adotada pelo governo americano, esse negociador afirma que, na relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos, a lógica seria justamente a inversa: o país deficitário é o Brasil. — Os Estados Unidos começam a impor essas tarifas no novo mandato de Trump, basicamente com o argumento do desequilíbrio comercial com a China. Dizem que vão elevar tarifas sobre os produtos chineses para reduzir as importações de bens e serviços. Ok, entendi a lógica do Trump. Não estou dizendo que concordo. Mas, quando você olha para a relação Brasil-Estados Unidos, somos nós que estamos tirando dinheiro brasileiro, comprando dólares para adquirir medicamentos, serviços de computação em nuvem e tecnologia dos americanos. Enquanto isso, os Estados Unidos mandam dinheiro para comprar café, suco de laranja e carne do Brasil. Ou seja, nós é que temos déficit nessa relação. É como se, nessa comparação, o Brasil ocupasse o lugar dos Estados Unidos na disputa com a China, e os Estados Unidos ocupassem o lugar da China. A própria régua americana não serve para medir essa relação. É um absurdo — conclui o negociador.
Negociadores do Brasil relatam cansaço e apontam 'teimosia política' dos EUA nas negociações sobre tarifas
Negociadores do Brasil relatam cansaço e apontam 'teimosia política' dos EUA nas negociações sobre tarifas






