Vinicius Junior chegou a esta Copa do Mundo carregando um peso que poucos jogadores brasileiros conheceram em tempos recentes.

Não só pela responsabilidade de conduzir uma seleção que convive há mais de duas décadas com a expectativa de voltar ao topo do futebol mundial como pela condição que construiu ao longo dos últimos anos: a de principal jogador brasileiro em atividade. Porém, mesmo decisivo no maior clube do mundo, acumulando títulos, gols em finais e atuações memoráveis, sua condição de protagonista segue sendo questionada de forma desproporcional aos fatos.

A discussão é ainda mais intrigante quando observamos o que ele fez nesta Copa, artilheiro da seleção.

Em um torneio que define legados, foi ele quem mais vezes apareceu para decidir. Não se trata de um jogador vivendo de expectativa, mas de um atleta que já entregou desempenho, números e protagonismo em cenários de máxima pressão. Ainda assim, parece existir sempre uma nova prova a ser superada antes de receber um reconhecimento que outros craques conquistaram com mais naturalidade.

Parte dessa resistência talvez tenha relação com a forma como o futebol brasileiro construiu sua memória. Pelé, Romário, Ronaldo e Ronaldinho são lembrados como figuras quase incontestáveis. Mas muitas vezes esquecemos que a história tem o hábito de apagar dúvidas, críticas e contradições.