Batata, cenoura e tomate dobraram de preço desde o início do ano. A cebola ficou 64% mais cara. O feijão-carioca, 51%. A comida que se leva para casa aumentou em média 5,9% até junho, na medida do IPCA-15, do IBGE.
Em doze meses, a inflação da comida está em 3,4%. Entre novembro de 2024 e maio de 2025, ficara perto de 8% ao ano, o que ajudou a derrubar a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva.
O aumento, pois, não é disseminado, embora seja carestia horrível de produtos de uso corriqueiro. Em abril de 2013, o tomate caríssimo virou meme, mas era símbolo de inflação de alimentos alta, de quase 16% ao ano, um tempero das tantas insatisfações com Dilma Rousseff.
Comida mais cara não parece ainda problema eleitoral novo. É parte de problema econômico renovado, taxas de juros muito altas por mais tempo. Quão mais altas e por quanto tempo são motivos de discussão, acalorada por confusão que o Banco Central criou na semana passada, quando comunicou que cortara a Selic para 14,25%. Mas estamos falando aqui de país encalacrado com juro muito alto até fins de 2027, alto até fins de 2028. Não vai prestar.
O BC não pode fazer nada quanto a chuvas e calores que prejudicaram safras daqueles alimentos. No máximo, pode evitar que choques mais amplos de preços (de comida em geral ou energia, por exemplo) se espalhem pela economia.










