O colunista Rafael Souto escreve sobre uma mudança em curso nas organizações Durante anos, profissionais foram avaliados principalmente por metas, entregas e competências. Mas uma notícia recente chamou minha atenção. O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, comentou em matéria publicada pelo Valor que a reputação passou a integrar formalmente os critérios da avaliação de desempenho. A decisão apenas torna explícito algo que sempre esteve presente nas organizações. A reputação influencia promoções, oportunidades de crescimento, movimentações internas, participação em projetos estratégicos e, em alguns casos, até decisões de desligamento. A diferença é que agora algumas empresas começam a reconhecer esse fator de maneira mais estruturada. Mas afinal, o que é reputação? Gosto de defini-la como a combinação entre aquilo que você entrega e os comportamentos que demonstra ao longo da sua trajetória. É o resultado da percepção construída pelas pessoas que convivem com você. Além da entrega de resultados é o “como” foram alcançados. Em uma definição mais simples, reputação é o que falam de você quando você não está na sala. Ela não nasce de um único projeto, de uma apresentação brilhante ou de uma publicação nas redes sociais. É construída ao longo do tempo, pela repetição de atitudes, decisões e entregas. Em uma definição mais simples, reputação é o que falam de você quando você não está na sala, diz colunista — Foto: Freepik Nas abordagens mais contemporâneas sobre carreira, a reputação é um dos pilares centrais de reflexão. A razão é simples. Carreiras são construídas por decisões, mas também pelas percepções que essas decisões geram. Muitos profissionais acreditam que reputação é um tema abstrato ou secundário. Não é. Quando um líder discute sucessão, mobilidade interna ou a formação de uma equipe para um projeto estratégico, a reputação costuma entrar na conversa rapidamente. Surgem comentários sobre confiabilidade, colaboração, capacidade de influência, postura diante de desafios e qualidade dos relacionamentos. Por isso, dar intencionalidade à gestão da reputação pode gerar uma vantagem competitiva importante. Não se trata de construir uma personagem ou adotar comportamentos artificiais. Trata-se de compreender como suas ações são percebidas e quais impactos produzem ao seu redor. Gerir a reputação significa identificar comportamentos que impulsionam a carreira e condutas que podem estar travando o desenvolvimento profissional. Isso é o protagonismo na sua forma mais poderosa. Um dos exercícios que recomendo para ampliar essa compreensão é escolher uma ou duas pessoas que convivem no trabalho e perguntar claramente qual é a reputação que elas percebem que você tem. Nesse momento, é fundamental pedir o máximo de transparência e silenciar o diálogo interno. Apenas escutar para aumentar o repertório sobre a sua marca. Esse debate tornou-se ainda mais relevante em um mundo hiperconectado. Nas redes sociais, cada profissional tem o direito de expressar suas opiniões. Mas também precisa compreender que toda manifestação pública contribui para a construção de sua imagem profissional. Publicar o que quiser não elimina a necessidade de avaliar riscos e consequências. Outro equívoco comum é usar a autenticidade como justificativa para ignorar feedbacks. Ser autêntico não significa permanecer exatamente igual ao longo da carreira. Significa agir de forma coerente com seus valores enquanto evolui como profissional. Caso contrário, estaríamos defendendo que não há nada a aprender, ajustar ou desenvolver. E essa talvez seja a forma mais rápida de interromper o próprio crescimento. A reputação sempre foi um ativo valioso. O que está mudando é que algumas organizações começam a medi-la de forma explícita. A pergunta que fica é simples. Se a reputação passasse a fazer parte da sua avaliação de desempenho amanhã, qual seria o resultado? Rafael Souto é sócio-fundador e CEO da Produtive Carreira e Conexões com o Mercado