A principal semelhança entre os vencedores do prêmio Executivo de Valor em 2026 aparece menos nos números e mais na forma de liderar. Neste ano, destacaram-se líderes capazes de entregar resultados sem perder de vista cultura organizacional, transformação e sustentabilidade. Em vez do foco exclusivo na performance de curto prazo, os líderes conseguiram equilibrar eficiência, inovação e capacidade de adaptação em um ambiente de negócios cada vez mais instável e complexo. CEOs e presidentes de conselho foram eleitos por 14 consultorias que fazem parte da Association of Executive Search and Leadership Consultants (Aesc), associação global que reúne as empresas com as melhores práticas na seleção e desenvolvimento do alto escalão, além de sete convidadas pelo Valor. O processo de seleção se deu em duas etapas. Na primeira, as consultorias indicaram até cinco nomes em cada uma das 26 categorias. Todas as lideranças aptas, segundo o regulamento, que tiveram ao menos duas indicações seguiram para a segunda etapa. Foram escolhidos líderes de destaque de 22 setores da economia e em quatro categorias especiais: melhor presidente de conselho de administração; melhor liderança jovem; executivo que mais se destacou em atividades voltadas à sociedade e, pela primeira vez, melhor liderança de empresas de médio porte. Forte, presidente Brasil da Aesc: executivos premiados foram hábeis ao navegar em ambientes de alta pressão — Foto: Carol Carquejeiro/Valor Alguns dos critérios determinados para guiar as decisões do júri foram o desempenho da empresa no ano anterior; a capacidade de o CEO implementar uma gestão voltada à inovação, à sustentabilidade, à diversidade e à inclusão; sua habilidade de adaptação; e sua reputação no mercado. Na escolha de presidente do conselho de administração, o indicado não poderia integrar a diretoria executiva da empresa. “Entramos em uma nova era nos negócios; uma que exige um novo tipo de liderança”, diz Lynne Murphy-Rivera, diretora da Aesc no continente americano. Rivera defende que as organizações precisam de executivos que se adaptem às transformações enquanto lidam com as novas tecnologias. “À medida que a IA [inteligência artificial] redefine a forma como o trabalho é realizado, os líderes de hoje precisam fazer mais do que gerenciar mudanças. Eles devem preservar e desenvolver a cultura organizacional nesse processo”, afirma. Para Rafael Santiago, VP Américas da Aims International e managing partner na Aims Brasil, os destaques deste ano estão relacionados a iniciativas de sustentabilidade do negócio. “As características e iniciativas que mais me chamaram atenção correspondem ao forte viés de governança das empresas, onde há uma correlação direta entre a performance e o perfil de maturidade dessas práticas.” Já Adriana Prates, presidente da Dasein Executive Search, ressalta a presença de executivos menos centrados no protagonismo individual e mais focados na construção coletiva. “Valorizo líderes que enfrentam complexidades com clareza, que não terceirizam responsabilidade nos momentos difíceis e que compreendem que a inovação não nasce apenas de metas, mas também de ambientes onde as pessoas conseguem pensar, criar.” Felipe Ribeiro, sócio da Evermonte Executive & Board Search, frisa a combinação de entregas consistentes, visão de longo prazo e atuação em contextos de transformação digital e cultural. “Muitos dos executivos não se destacaram apenas pelos bons resultados financeiros, mas também pela forma como conduziram mudanças relevantes, fortaleceram a cultura e profissionalizaram a gestão.” Na visão de Rodrigo Forte, managing partner na EXEC e presidente Brasil da Aesc, uma característica importante foi a habilidade dos premiados de navegar em ambientes de elevada pressão e transformação contínua. “Houve fortalecimento do papel da cultura e da gestão de pessoas como agendas estratégicas e valorização de líderes com forte capacidade de aprendizado e visão colaborativa.” Segundo Ademar Couto, CEO da Odgers Brasil, destacaram-se líderes que demonstraram resiliência e pragmatismo e que conseguiram fortalecer a cultura organizacional e o engajamento das suas equipes em momentos de transição. “Também pesou a habilidade de liderar transformações relevantes no negócio, seja em inovação, digitalização ou reposicionamento competitivo.” Jacques Sarfatti, sócio-diretor da Russell Reynolds Associates, explica que procurou valorizar a execução estratégica, a habilidade de antecipar movimentos de mercado e atuações marcadas por elevados padrões de governança e transparência. “Também chamaram atenção a condução bem-sucedida de iniciativas estruturantes e o fortalecimento de uma cultura organizacional orientada a resultados, inovação e criação de valor de longo prazo.” “Considero, sobretudo, a capacidade dos CEOs de gerar valor sustentável em um ambiente de alta incerteza, combinando clareza estratégica com adaptabilidade”, diz Karin Karay, country manager da Spencer Stuart no Brasil. Para ela, também contam pontos uso pragmático da tecnologia, fortalecimento da cultura e da sucessão e capacidade de mobilizar times e sustentar resultados. João Marcio Souza, CEO da Talenses Group, por sua vez, conta que considerou líderes que conseguiram combinar resultados consistentes de negócio com capacidade real de transformação. “Os executivos que mais se destacaram foram os que conseguiram equilibrar eficiência, crescimento e transformação.” Já para Angela Pegas, sócia na Egon Zehnder, os vencedores demonstraram ousadia ao investir e inovar. “Valorizamos os que foram capazes de transformar seus negócios, buscando maior eficiência e novas formas de operar com o suporte da tecnologia, sem deixar de investir no desenvolvimento de suas equipes, na sustentabilidade dos negócios e na promoção da diversidade.” Jorge Maluf, senior client partner na Korn Ferry Brasil, prestou atenção em pontos como resultados alcançados, estilo de liderança, desafios recentes enfrentados e reputação da empresa. “Os executivos demonstraram resiliência e capacidade de condução em cenário de desafios relevantes e grande incerteza nos âmbitos local e global.” A pergunta-chave do ano para Fernando Carneiro, senior partner da Vila Nova Partners, foi: “Qual legado esse CEO deixaria se saísse da empresa?”. “Procurei indicar executivos cuja liderança se destacasse pelos resultados e pela ética nas relações, respeito às pessoas, compromisso com a sustentabilidade, legado organizacional e impacto positivo sobre a sociedade.” A competência geopolítica é um dos fatores que mais chamaram a atenção de Denys Monteiro, CEO da ZRG Partners Brasil. “Além disso, se faz necessária a vontade de aprender e desaprender. A IA vai transformar as organizações e a sociedade e, se os líderes não estiverem prontos, podem gerar efeitos importantes na competitividade de suas empresas.” De acordo com Alexandre Sabbag, managing partner na Boyden Brasil, os executivos demonstraram agilidade estratégica, inteligência cultural global, capacidade de execução e geração de valor. “Chamaram a atenção pessoas capazes de exercer liderança conscientes de seu impacto, considerando não apenas indicadores financeiros, mas também cultura, reputação, sustentabilidade e governança.” Para Ricardo du Pain, managing partner da People Assets Transearch, o destaque do ano foi o aumento no número de M&As no Brasil. “Alguns dos executivos em que votamos conduziram fusões e aquisições de sucesso, ainda em processo de integração”, aponta. Já para Patrícia Osser, sócia da Osser & Osser Professional Consulting Group, um ponto importante foi a habilidade de conduzir transformação e mudança com olhar atento para pessoas, cultura organizacional, práticas ESG e gestão de risco. “Além de entregarem resultados sustentáveis, as lideranças ajudam a pautar discussões importantes para o Brasil.” Giovana Servi, managing partner na Signium Brasil, diz que buscou entender a real contribuição do CEO para a trajetória da empresa não apenas olhando os resultados financeiros, mas também como a companhia evoluiu, se posicionou e se diferenciou de seus pares. “Os executivos que realmente se diferenciam são aqueles que conseguem imprimir visão própria sem perder a essência, a cultura e o legado da organização”, defende. Marcelo de Lucca, sócio-fundador da MAIO Executive Search, levou em consideração o desenvolvimento de novos negócios, aspectos ligados à liderança de pessoas e ao ciclo de digitalização das empresas e a capacidade de conciliar estratégia e execução. “Chamou atenção a criatividade em busca de novas avenidas de crescimento, com respeito à gestão de riscos e alocação de capital.” No entendimento de Luís Arrobas, sócio da Heidrick & Struggles Brasil, os executivos que mais se destacaram foram aqueles que demonstraram ter mentalidade orientada à inteligência artificial (IA) e que a estão utilizando para transformar as organizações. “Não estão apenas preparando negócios para o futuro, mas também remodelando a cultura organizacional para permanecerem competitivos em um ambiente que evolui rapidamente.” “O diferencial não está apenas nos resultados, mas principalmente na forma como os executivos lideram”, observa André Nolasco, sócio na Amrop Brasil. “Nos chamou atenção como eles tomam decisões usando dados, mas sem engessar o processo. Apesar disso, talvez o ponto mais forte seja o cuidado com as pessoas. Os CEOs que mais se destacaram foram justamente os que conseguiram equilibrar tudo isso de forma prática.” Na opinião de Fatima Zorzato, fundadora da INWI Consulting, destacaram-se executivos capazes de liderar em um “Brasil de horizonte curto” e “em um mundo de geometria imprecisa”. “Mais do que entregar números, esses CEOs devolveram a empresa em um estado melhor do que a receberam. Legado é o critério que separa um bom ano de uma boa gestão”, resume. Na percepção de Fabio Fonseca, diretor da Havik Executive Search e Cornerstone International, o que tem mais valor é a capacidade de liderar no contexto atual. “Chamaram minha atenção executivos que conseguiram acelerar processos de transformação sem negligenciar aspectos fundamentais como cultura, desenvolvimento de lideranças, sucessão, engajamento e fortalecimento das equipes.”
Critérios para a escolha de Executivos de Valor
Entre outros atributos, júri avaliou capacidade de implementar uma gestão voltada à inovação, sustentabilidade, diversidade e inclusão
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