A manutenção do foco em projetos de longo prazo e no ganho de competitividade das empresas é a principal estratégia adotada pelos líderes eleitos na 26 edição do prêmio “Executivo de Valor” para continuar entregando bons resultados num ambiente global mais turbulento e incerto, marcado por guerras, protecionismo e refluxo do processo de globalização. Quadro que no Brasil ganha contornos mais desafiadores com as altas taxas de juros e as eleições de outubro. Ao abrir o evento, realizado no hotel Rosewood, em São Paulo, o diretor-geral da Editora Globo e Sistema Globo de Rádio, Frederic Kachar, afirmou que nenhum líder atinge objetivos sozinho, sem uma equipe alinhada ao negócio. Ele destacou ainda características comuns aos premiados — como a capacidade de adaptação diante das mudanças do ambiente de negócios, a formação de equipes autônomas e integradas e a habilidade de atrair e reter talentos. Kachar enfatizou também a importância da liderança compartilhada, com equipes fortes ao redor do CEO e familiares, que são parte fundamental da rede de apoio que sustenta trajetórias profissionais de sucesso. A diretora de Redação do Valor, Maria Fernanda Delmas, destacou o trabalho meticuloso realizado pelo júri ao apontar os nomes que se destacaram em “um cenário nada fácil”. E ressaltou a importância da valorização das pessoas nas empresas, citando recomendações de especialistas. “O melhor líder não é o que tem resposta para tudo, mas aquele que cria um ambiente para o time florescer. E mais importante que contratar profissionais isoladamente geniais é conseguir formar um time adaptado à cultura do negócio.” A peculiaridade do cenário geopolítico atual — com guerras simultâneas impactando o preço das commodities e importando inflação para o Brasil — é destacada pelo CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho. Essa dinâmica, observa, provoca uma reorganização dos fluxos de investidores, que acabou por beneficiar os emergentes, incluindo o Brasil. “Mas esse é um fluxo que pode sair rapidamente, da mesma forma que entrou. Mais importante é atrair um investimento de longo prazo que ajude o Brasil a ter um crescimento vigoroso”, afirma. Na avaliação dele, é fundamental reduzir o custo de capital. “Isso envolve três pilares: taxa de juros, ambiente institucional e segurança jurídica. Se houver condições para melhorar esses três pontos, ganham força também as reformas e transformações em produtividade e em competitividade global.” O olhar para o futuro é uma importante baliza. Daniela Manique, presidente da Solvay para a América Latina, diz que, na empresa, o critério de decisão para investimentos se baseia em uma pergunta: “Este projeto nos torna mais competitivos, mais sustentáveis e menos intensivos em carbono? Se a resposta for sim, avançamos”, diz. Segundo ela, o foco em pesados investimentos na transição energética está mantido. Alberto Kuba, CEO da WEG, adota um caminho semelhante. A empresa, diz, centrou sua estratégia em três megatendências que não mudam no curto prazo: sustentabilidade, eficiência energética e inteligência artificial (IA). “Dadas todas as incertezas, nosso foco é reduzir as vulnerabilidades e os riscos”, afirma. Das 68 fábricas da WEG, 48 estão no exterior, e a empresa vem buscando fabricar produtos com maior proximidade dos clientes para reduzir problemas de logística, fornecimento de suprimentos e câmbio. No cenário imprevisível, diz, a forma mais sensata de tomar decisões é avaliar se o investimento está alinhado com os objetivos de longo prazo da empresa e analisar riscos e suas probabilidades, além das oportunidades. Executivo de Valor 1 de 11 Heloisa Callegaro (esq.), da McKinsey, e Daniela Manique, presidente da Solvay — Foto: Ana Paula Paiva/Valor 2 de 11 Eduardo Lyra (à esq.), CEO da Gerando Falcões, e Maurício Rodrigues, presidente da Agro Bayer para AL — Foto: Gabriel Reis/Valor 11 fotos 3 de 11 Fernando Yunes (à esq.), VP executivo do Mercado Livre, e Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer — Foto: Gabriel Reis/Valor 4 de 11 Paulo Kakinoff, CEO da Porto (à esq.), e Bruno Lasansky, CEO da Localiza, durante o evento — Foto: Gabriel Reis/Valor 5 de 11 Paulo Moll, CEO da redeD’or (à esq.), e Alberto Kuba, CEO da Weg, durante a premiação 6 de 11 Deborah Vieitas, presidente do conselho do Santander, e João Alberto de Abreu, CEO da Suzano — Foto: Gabriel Reis/Valor 7 de 11 Gustavo Pimenta (à esq.), CEO da Vale, e Fernando Modé, CEO do Grupo Boticário, no início do evento — Foto: Gabriel Reis/Valor 8 de 11 Fernanda Delmas (esq.), diretora de Redação do Valor, Paulo Marinho, CEO da Globo, e Frederic Kachar, diretor-geral da Editora Globo — Foto: Ana Paula Paiva/Valor 9 de 11 Augusto Martins, CEO da JHSF (à esq.), e Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco — Foto: Gabriel Reis/Valor 10 de 11 Paula Harraca, CEO da Ânima, premiada na categoria educação — Foto: Gabriel Reis/Valor 11 de 11 Márcio Alves, CEO da Alelo Brasil — Foto: Valor Premiados da 26ª edição do “Executivo de Valor” foram homenageados em evento realizado no hotel Rosewood Também com a atenção voltada para um horizonte mais amplo, Gustavo Pimenta, CEO da Vale, considera que a instabilidade do cenário atual deve resultar em um mundo mais focado na segurança alimentar, energética ou mineral. Embora os conflitos entre países afetem o fluxo de mercadorias e gerem inflação, o executivo afirma que isso não muda os planos da mineradora: “Nosso negócio é de médio e longo prazos. Se acreditamos que o minério de ferro e o cobre, por exemplo, têm perspectivas positivas, seguimos investindo.” A análise dos riscos inerentes a cada negócio e conjuntura é ressaltada por Miguel Setas, CEO da Motiva. A empresa vem traçando cenários sobre o impacto da guerra no Irã no preço do petróleo. “Nós nos precavemos desta crise, entrando em 2026 com mais de 80% dos investimentos contratados; portanto, a execução está majoritariamente garantida. A nossa resposta a esse choque geopolítico são a gestão de risco e a adoção de medidas que mitiguem esses riscos, em particular poder antecipar ao máximo a contratação dos nossos investimentos”. Para 2027, mais da metade dos investimentos já está contratada. A cautela é um ativo precioso em cenários de volatilidade. Pedro Lima, CEO do Grupo 3corações, mostra preocupação com a alavancagem fiscal no momento. “Somos conservadores, nosso limite de dívida é muito bem cuidado, muito bem administrado”, afirma. O controle sobre despesas é forte e os investimentos, muito bem planejados para driblar imprevistos. “Podemos ter surpresas a qualquer momento, que o Brasil tem dessas coisas, então temos de manter a cautela neste momento e cuidar, ter resiliência e, principalmente, manter o foco no negócio.” Presidente do conselho de administração do Santander, Deborah Vieitas cita entre os critérios, “clareza sobre riscos é muito importante, alinhamento com os valores e com a estratégia da organização, o impacto de longo prazo e a capacidade de adaptação caso o cenário mude”. Mas faz um alerta: não se paralisar diante da incerteza. “A velocidade e a qualidade da decisão — ou da resposta — fazem mais diferença do que a busca por uma solução perfeita.” Para o setor de seguros, há uma particularidade. “Curiosamente, um ambiente de volatilidade crescente acaba indo ao encontro daquilo que oferecemos. Em um mundo mais imprevisível, aumenta a demanda por proteção, planejamento e previsibilidade”, afirma Paulo Kakinoff, CEO do grupo Porto. Ele diz que o grupo continua ampliando investimentos em produtos, serviços, tecnologia e estrutura de distribuição e que o foco é fortalecer as capacidades estruturais do negócio. “A aposta de investimento no país continua”, afirma o CEO da Vivo, Christian Gebara, lembrando que no ano passado a empresa fez aportes de R$ 9,2 bilhões. As decisões tomadas pelo executivo seguem as regras de uma empresa de capital aberto. “Temos o compromisso com o mercado de remuneração de acionistas e isso é uma base de decisão, manter o lucro líquido crescendo. Todas a decisões que a gente toma têm um foco muito claro na geração de receita de Ebitda, geração de caixa, terminando no free cash flow e no lucro.” O Beto Carrero World também mantém seu plano de investir — serão R$ 2 bilhões nos próximos anos. O parque temático importa a totalidade dos equipamentos e materiais. A preocupação, mais do que com o câmbio, é com a carga tributária e o Imposto de Importação (II): “Isso pode nos afetar, mas não ao ponto de a gente deixar de fazer os investimentos”, ressalta Alexandre Murad, CEO e presidente do conselho de administração. No Brasil, há ainda outro ponto de incertezas: o processo eleitoral deste ano. Para Vieitas, do Santander, focar no longo prazo se torna ainda mais importante nesse momento, e as empresas têm que ser capazes de competir em qualquer contexto. É o que vem buscando a Embraer. “É uma empresa global. A gente não espera nenhum impacto nos nossos negócios em função da eleição do Brasil. Ao contrário, nossa visão é de longo prazo. Nós temos um plano estratégico muito bem definido e nosso foco é seguir essa estratégia e manter um crescimento sustentado nos próximos anos”, afirma o CEO, Francisco Gomes Neto. E também vem sendo a receita aplicada na Localiza. “As eleições fazem parte do ambiente democrático do país e é natural que, nesse período, haja uma atenção maior do mercado a temas econômicos, regulatórios e ao comportamento dos investimentos. Ainda assim, entendemos que empresas com visão de longo prazo conseguem atravessar diferentes ciclos mantendo consistência na execução, disciplina financeira e foco estratégico”, diz Bruno Lasansky, CEO da Localiza&Co. “A empresa continua na direção definida”, ecoa Diego Barreto, CEO do iFood. Porém, ressalva, a insegurança jurídica e a ausência de planos econômicos de estabilidade para pensar o futuro do país são os fatores que mais afetam o negócio. Para Barreto, as eleições do segundo semestre não chegam a tornar o cenário mais instável do que o recorrente. “A forma como a discussão acontece faz parte do Brasil desde sempre, não é problema ou dificuldade”, afirma. O prêmio “Executivo de Valor” conta com patrocínio master de ArcelorMittal e Welhub, patrocínio de Alelo e Falconi, Audi como carro oficial, 3 Corações como café oficial, e apoio de Rosewood, Eletromidia e Febraban. Veja aqui o especial sobre os líderes de maior destaque em 26 setores
Empresas investem com foco em futuro e competitividade
Visão de longo prazo e ganhos de competitividade moldam estratégia de líderes premiados na 26ª edição de Executivo de Valor
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