Com transformação de resíduos em novos insumos, redução de desperdício e uso de energia renovável franquias iniciativas verdes entram na estratégia do negócio Lupo abriu no fim de 2025, em Roseira (SP), uma loja construída com blocos produzidos a partir de resíduos têxteis; restos industriais também viram cabides — Foto: Divulgação Reduzir custos operacionais, fortalecer a reputação das marcas e responder às crescentes exigências de consumidores e investidores. Essas metas têm aproximado a agenda ambiental das decisões estratégicas no setor de franquias. Em segmentos distintos como alimentação e vestuário, redes com centenas de unidades vêm transformando resíduos em matéria-prima, ampliando o uso de energia renovável e investindo na economia circular, gerando resultados ambientais e financeiros para as empresas. “Trabalhamos com um plano estratégico de cinco anos, revisado periodicamente para acompanhar as mudanças do ambiente econômico e de negócios. Nesse contexto, a sustentabilidade ocupa o mesmo nível de relevância de outros vetores fundamentais para a empresa, como a expansão da rede de franquias e a evolução da operação”, afirma o diretor de operações e desenvolvimento de pessoas da rede de restaurantes Giraffas, Jaime Laranjeiro. A busca por êxitos concretos explica o avanço de ações como o reaproveitamento de óleo de cozinha. Hoje, 351 restaurantes da rede participam do programa, que recolhe mais de 25 mil litros mensais de resíduos que deixam de ser descartados inadequadamente e retornam à cadeia produtiva. “Além de evitar o descarte inadequado do resíduo, o programa gera cerca de R$ 78,5 mil de economia mensal para os franqueados, demonstrando que sustentabilidade e eficiência operacional podem caminhar juntas”, afirma Laranjeiro. O material coletado é destinado a cooperativas e parceiros especializados, responsáveis pelo tratamento e pela transformação do óleo em novos produtos, como sabão. “Outro aspecto importante é o impacto social. Em diversas localidades, a parceria com cooperativas contribui para a geração de renda e o fortalecimento de comunidades, ampliando os benefícios da iniciativa para além das operações da rede”, diz o executivo. Já a parceria com a Atua Energia, fechada em 2024, procura ampliar o acesso das franquias à geração distribuída de fonte solar. Das 117 lojas inicialmente consideradas aptas, 49 já ingressaram na primeira etapa do programa. A expectativa é reduzir os gastos com eletricidade em até 21% nas unidades mineiras e em cerca de 19% nas demais regiões contempladas. Para Laranjeiro, os números confirmam que “desenvolver ações que conciliem benefícios ambientais com ganhos concretos para a operação dos franqueados” é o caminho mais eficiente para ampliar a adesão da rede. A preocupação com eficiência também chegou ao delivery. Em parceria com fornecedores, a rede substituiu embalagens convencionais por modelos produzidos com materiais sustentáveis e recicláveis. Cerca de 300 mil unidades são utilizadas mensalmente. Laranjeiro explica que “a iniciativa nasceu a partir da escuta ativa dos consumidores e de um trabalho conjunto com fornecedores para aprimorar a experiência de entrega, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência logística”. Ações que trazem ganhos concretos obtêm mais adesão dos franqueados, diz Jaime Laranjeiro No setor de vestuário, a Lupo vem demonstrando que os princípios da economia circular podem ultrapassar os limites da fábrica. No fim do ano passado, a companhia inaugurou em Roseira (SP) uma loja construída com tijolos feitos a partir de resíduos têxteis gerados durante a fabricação de seus produtos. Os blocos foram desenvolvidos pelo Grupo Wolf, de Araraquara (SP) especializado em termoplásticos, e fazem parte do portfólio da companhia, que fornece materiais para construção. Para Vinícius Morbeck, diretor industrial da companhia, o empreendimento simboliza uma nova etapa no aproveitamento de recursos e pode servir de base para futuras expansões. “A loja de Roseira representa um importante marco na estratégia de economia circular da Lupo, ao transformar resíduos têxteis à base de fios de poliamida, gerados em nosso processo produtivo, em matéria-prima para a construção civil.” A unidade é apenas uma das ações que vêm sendo desenvolvidas pela Lupo. Nos últimos anos, a fabricante produziu 130 mil cabides utilizando resíduos industriais próprios que anteriormente seriam descartados. “Materiais que anteriormente seriam descartados foram transformados em itens utilizados nas lojas da rede, ampliando o ciclo de vida desses recursos e reduzindo a necessidade de novos insumos para essa finalidade”, afirma Morbeck. Para o executivo da Lupo, a sustentabilidade só gera impacto quando envolve toda a cadeia de valor, dos processos industriais ao relacionamento com consumidores. Por isso, a estratégia da empresa combina iniciativas como logística reversa, rastreabilidade da produção, uso de algodão 100% responsável, matérias-primas de menor impacto ambiental e a eliminação gradual de substâncias mais agressivas ao meio ambiente. Embora atuem em mercados diferentes, Giraffas e Lupo compartilham uma mesma percepção: a agenda climática ganha força quando deixa de ser tratada como uma obrigação regulatória e passa a gerar inovação, eficiência e valor econômico. Como resume Morbeck, “um dos principais aprendizados da Lupo é que a sustentabilidade gera mais valor quando está integrada à estratégia do negócio e aos processos da empresa, deixando de ser uma iniciativa isolada para se tornar parte da cultura organizacional.” A avaliação converge com a visão de Laranjeiro: “Quanto mais as iniciativas ambientais conseguirem gerar eficiência operacional, inovação e valor para os franqueados e consumidores, maior será sua capacidade de ganhar escala e produzir impactos positivos duradouros.”
Eficiência impulsiona agenda ambiental nas redes de franquias
Com transformação de resíduos em novos insumos, redução de desperdício e uso de energia renovável franquias iniciativas verdes entram na estratégia do negócio







