* Por Lucas Infante
No Brasil, cerca de 46 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas por ano, o equivalente a R$ 61,3 bilhões ou aproximadamente 3% do PIB, segundo o IBGE. Parte significativa dessas perdas ocorre dentro da própria cadeia, antes mesmo da chegada ao consumidor final, devido a falhas na previsão de demanda, ruptura de estoque, validade e giro abaixo do esperado. Transformar excedentes em valor não apenas reduz custos, mas melhora indicadores operacionais críticos, como giro de estoque, quebra e aproveitamento de produtos próximos ao vencimento.
Cada vez mais, a redução de desperdício deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a integrar a estratégia operacional de varejistas e indústrias de alimentos. Só pra se ter uma ideia, de acordo com dados do Relatório de Impacto de 2026 da Food To Save, a comercialização estruturada de excedentes de produção gerou R$ 31 milhões em receita incremental para centenas de empresas que atuam no varejo alimentar, de padarias, até franquias e grandes grupos de supermercados. Além disso, evitou o descarte de mais de 3 mil toneladas de alimentos, fortalecendo a margem e a eficiência das operações.
O resultado evidencia que as perdas não são inevitáveis, mas reflexo direto de decisões de gestão, previsão de demanda e logística. Empresas que integram a gestão de excedentes à rotina diária conseguem tomar decisões mais precisas sobre estoque, reposição e logística, transformando perdas em oportunidade de receita.








