Para especialistas na Rio Nature and Climate Week, exemplos de políticas públicas comprovam como o lixo que as pessoas descartam pode gerar dividendos bilionários 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Painel sobre gestão de resíduos e economia circular na Rio Nature and Climate Week — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 11:00 Economia Circular: Transformando Lixo em Riqueza no RJ A gestão de resíduos no Rio de Janeiro é um desafio com potencial bilionário, segundo especialistas da Rio Nature and Climate Week. A cidade gera 17 mil toneladas de lixo diariamente, mas reciclagem e reaproveitamento podem trazer benefícios econômicos e ambientais. Exemplos bem-sucedidos incluem o Ecoparque do Caju e iniciativas de compostagem em Florianópolis. A economia circular pode criar milhões de empregos até 2030, destacando a importância de políticas públicas e conscientização para transformar resíduos em valor econômico e ambiental. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Diariamente, a cidade do Rio de Janeiro, uma das maiores metrópoles do Hemisfério Sul, produz 17 mil toneladas de lixo, desde grandes resíduos industriais até o papel da bala comprada inocentemente na banca de jornais. Mas ao mesmo tempo que esse entulho representa uma questão ambiental grave e urgente, ele também movimenta uma parcela cada vez mais importante da economia, com benefícios que vão além dos financeiros. — Se pensarmos em países europeus desenvolvidos, muitos já reciclam entre 40% e 50%, e alguns chegam a 60%. Do ponto de vista econômico, tanto o material reciclável quanto os resíduos orgânicos têm um valor muito grande — afirmou Adalberto Maluf, secretário nacional de meio ambiente e qualidade ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), em painel na Rio Nature and Climate Week. Citando um relatório de 2025, Maluf disse que, por ano, o Brasil joga — literalmente — no lixo R$ 27 bilhões, e que os municípios gastam muito mais — R$ 45 bilhões — na gestão de todo esse lixo. Muitas vezes ignorando o impacto ambiental ou o potencial econômico presente em aterros e depósitos. — Nós gastamos R$ 45 bilhões para coletar e destinar resíduos aos aterros sanitários e, ainda assim, não realizamos sequer um terço da reciclagem potencial. Acredito que será necessário rever contratos, criar mecanismos de remuneração por desempenho e pagar tanto pelo material efetivamente triado quanto pelo que é desviado dos aterros — acrescentou. Adalberto Maluf, secretário nacional do Meio Ambiente, em painel na Rio Nature and Climate Week — Foto: Divulgação De acordo com o IBGE, 60,5% dos municípios brasileiros adotam algum tipo de coleta seletiva, e algumas iniciativas servem como exemplo de como gerir o lixo das cidades. Em sua intervenção no painel, Bernardo Ornelas, coordenador de projetos da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb), citou o Ecoparque do Caju, referência nacional na gestão e reaproveitamento de resíduos. Ali, o material recebido passa por triagem e pode servir para a produção de biogás, compostos orgânicos destinados a hortas urbanas ou o consumo humano, no caso de alimentos ainda próprios. — Trabalhamos sobre três pilares principais da gestão sustentável: prevenção, valorização e mitigação dos gases de efeito estufa — destacou. — Mas o Rio de Janeiro tem uma vantagem importante. É uma das poucas cidades brasileiras que possui um Plano de Ação Climática estruturado. Existe uma coordenação no âmbito da prefeitura que busca alinhar os desafios do poder público, da iniciativa privada e do mercado. Outro caso mencionado pelo mediador do painel, o jornalista André Trigueiro, foi o de Florianópolis. Ali, a meta é que, até 2030, 90% de todos resíduos orgânicos do município recebam uma destinação “inteligente”, ou seja, que não sejam mais enviados a aterros. Para tal, medidas como cursos gratuitos, incluindo sobre vermicompostagem (processo que usa minhocas para a decomposição de resíduos orgânicos) são oferecidas à população. — Quando existe comprometimento da prefeitura e participação da sociedade, a equação funciona. Mas também temos inúmeros exemplos de cidades que iniciam projetos de compostagem e depois não conseguem fazer a manutenção adequada — destacou Maluf. — Muitas vezes tentam implantar projetos gigantescos, com grande complexidade operacional, quando poderiam adotar soluções descentralizadas e menores, como ocorreu em Florianópolis. De acordo com estudo do MMA, de 2025, a economia circular — ligada a práticas sustentáveis, nas quais a reciclagem está incluída — pode gerar até 7 milhões de vagas de trabalho no Brasil até 2030. Globalmente, um estudo do Boston Consulting Group aponta que R$ 1,2 trilhão são desperdiçados anualmente devido ao descarte inadequado de materiais. Um potencial que passa, além de políticas públicas, pela conscientização. — Isso passa pela educação formal, pelas escolas e também pela mídia, que exerce um papel fundamental na divulgação de boas práticas. E existe ainda outra questão. Há setores econômicos que buscam apenas lucro, e não necessariamente benefícios ambientais — disse Ornelas. — Precisamos criar instrumentos que diminuam a distância entre sustentabilidade e os modelos econômicos predominantes. Pensando no futuro, Maluf se diz moderadamente otimista, ao mesmo tempo em que faz cobranças. —Enquanto a sociedade não compreender que esse é um tema prioritário, não apenas ambientalmente, mas também para a saúde pública, continuaremos avançando abaixo do necessário — destacou. — Estamos falando de uma grande oportunidade econômica ligada à economia verde e à economia circular. Para mim, é um típico caso de ganha-ganha. O desafio agora é dar escala às experiências que já estão funcionando.
Gestão de resíduos é desafio para gestores, mas traz potenciais ambientais e econômicos importantes
Para especialistas na Rio Nature and Climate Week, exemplos de políticas públicas comprovam como o lixo que as pessoas descartam pode gerar dividendos bilionários








