Número de unidades no exterior sobe 37% em 2025 Maria Paula Velloso, da Apex: ‘marca Brasil’ tem peso nos países vizinhos — Foto: Divulgação A Casa do Construtor, rede de locação de equipamentos para construção civil, mantém 14 unidades distribuídas entre Paraguai, Uruguai e Argentina. Para este ano, o plano prevê a inauguração de mais duas lojas na Argentina e uma no Chile, além da participação em missões comerciais para sondar oportunidades no México e no Panamá. A CleanNew, especializada em higienização e impermeabilização de estofados, iniciou sua expansão internacional pela Argentina e Colômbia, em 2018. Hoje, soma 14 unidades no exterior, espalhadas por países como México, Estados Unidos, Espanha, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e Angola. Já a Anjos Colchões e Sofás mantém sete lojas no Paraguai, Chile e Argentina e busca novos parceiros em mercados como Colômbia e Peru. O trio de empresas retrata uma tendência inédita. Pela primeira vez, a América Latina assume a liderança entre os mercados que mais recebem novas operações de franquias brasileiras. No novo ranking da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o México, impulsionado pela boa fase na economia, ocupa a primeira posição em número de unidades em operação, com 631 delas em 2025, seguido pela Colômbia, com 532, à frente de mercados tradicionais como Portugal e Estados Unidos. No total, as franquias brasileiras somaram no ano passado 4.194 unidades no exterior - 37% mais do que em 2024. Em relação aos setores, alimentação aparece na primeira posição, com 42 marcas com presença no exterior, seguida pelo segmento de casa e construção (41) e comunicação, informática e eletrônicos (31). “São segmentos com operações já fortes, consolidadas no Brasil, o que facilita a internacionalização”, afirma Maria Paula Velloso, diretora de negócios da ApexBrasil. Foi o que ocorreu com a Casa do Construtor. Com cerca de 830 unidades no Brasil, a rede de locação de equipamentos para construção civil aposta na internacionalização como frente de crescimento. “Existe um grande potencial ainda não explorado na América Latina”, afirma Bruno Arena, diretor de expansão internacional da companhia. A meta da rede é alcançar cerca de 150 operações fora do país até 2030. O cálculo foi baseado em estudos que apontam espaço para entre 150 e 200 unidades na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai. “É um número maior do que muitas redes têm hoje no Brasil”, compara o executivo. Na sua avaliação, o avanço também rende outros ganhos. “A presença internacional aumenta o valor da marca”, avalia. Se a internacionalização fortalece as empresas brasileiras, na mão inversa, a reputação de produtos brasileiros também ajuda a fincar o pé no exterior. “Muito dessa força das franquias brasileiras na América Latina vem [do peso] da marca Brasil entre os nossos hermanos”, afirma a Velloso, da ApexBrasil. A percepção é compartilhada por Leonardo dos Anjos, diretor de franquias da Anjos Colchões & Sofás. E exemplifica: “Nosso franqueado do Chile diz que, assim como os brasileiros têm admiração por produtos dos Estados Unidos e da Europa, os chilenos têm pelos do Brasil.” A mesma percepção é compartilhada por muitos países vizinhos, acredita ele. Mas a etiqueta “made in Brazil” não é garantia de sucesso. Velloso ressalta que a internacionalização bem-sucedida exige adaptações em diversas frentes, da comunicação e marketing ao mix de produtos. Na Anjos Colchões e Sofás, por exemplo, as medidas dos colchões vendidos nas 258 unidades brasileiras precisaram ser adaptadas aos padrões utilizados além das fronteiras. Na busca de sintonia com o público-alvo, na Casa do Construtor, depois de um deslize, foi necessário rever a campanha promocional “Sexta-Feira Maluca”. É que a tradução ao pé da letra do texto brasileiro não produziu o efeito esperado. “Ficou parecendo que a gente era doido, e não que estávamos oferecendo benefícios aos clientes”, conta Arena. Na CleanNew o impasse veio da presença feminina nos vídeos para redes sociais no Oriente Médio. “Quando mostramos exemplos da publicidade ao franqueado dos Emirados Árabes, ele disse que mulheres não podiam aparecer nas telas.” A solução foi substitui-las por homens. Para evitar novos mal-entendidos, a empresa criou uma estrutura de suporte para os franqueados da região por intermédio de um master franqueado na Arábia Saudita, que atende os franqueados também aos domingos, dia útil na região. Já nos outros países, com maior proximidade cultural, o apoio aos franqueados vem direto do Brasil, onde a rede tem 36 unidades. A internacionalização também tem exigências jurídicas e regulatórias específicas, ressalta Velloso. Na Casa do Construtor, por exemplo, é preciso adequar equipamentos, como andaimes, adaptar processos tributários e operacionais às legislações nacionais e até regionais, além de desenvolver fornecedores regionais - processo que leva cerca de 18 meses. No caso da CleanNew, as exigências na exportação dos produtos químicos utilizados nos serviços variam conforme a legislação de cada país. Para lidar com as diferenças, a empresa mantém apoio jurídico e tributário especializado e, assim como a Casa do Construtor, seleciona sempre parceiros locais, diz Fritz.