Enquanto aguardamos o resultado oficial das eleições de 2026, pode-se afirmar que o Peru demonstrou uma surpreendente resiliência institucional e econômica na última década.
A democracia constitucional perdurou apesar dos sucessivos impeachments presidenciais, e a economia cresceu a uma taxa anual de 3% a 4%, com baixa inflação, juros controlados, dívida pública reduzida, uma moeda forte e exportações recordes, embora persistam desafios agudos de pobreza e desigualdade.
O início de um novo governo no Peru, em 28 de julho, deve nos incentivar a renovar os laços bilaterais na perspectiva do bicentenário da relação, que comemoraremos em 3 de fevereiro de 2027. Ao longo de mais de quatro anos como embaixador em Brasília, observo que vivemos um momento de redefinição da vizinhança entre os dois países.
Entramos no século 21 com um grande voluntarismo diplomático —repleto de acordos, projetos e visitas presidenciais— que teve pouco efeito na integração real. Na última década, contudo, empenhamo-nos em uma fase discreta e constante de relançamento da vizinhança. Com mais cooperação fronteiriça e setorial e mais diálogo entre autoridades locais e empresários, consolidou-se um processo de baixo para cima.










