"Misantropi4" foi o texto do alerta que milhões de brasileiros receberam pelo celular depois do jogo pouco convincente entre Brasil e Haiti, na madrugada de sábado. O meu vibrou às 1h22. Foram três rugidos de um ser digital expelindo seu ódio social.

O que se sabe é que o alerta foi ação de um jovem lobo solitário, um hacker, que, usando logins e senhas de oficiais de bombeiros do Pará, invadiu o sistema da Defesa Civil que informa a previsão de tempestades e deslizamentos.

Como os vilões de "Batman" e os inimigos de personagens da Marvel, ele é macropolítico e tem poderes para alcançar o inalcançável por meio de uma tecnologia que poucos dominam.

Misantropia vem do grego "misos" (ódio) e "anthropos" (ser humano). É uma aversão, desconfiança e repulsa generalizada pela humanidade e comportamento humano. É uma visão de mundo mais pessimista que a de um niilista —se é que isso é possível. O misantropo não busca o sentido da existência nem o objetivo da vida, porque não busca nada. Tampouco quer mudar o mundo, como faria um anarquista.

O niilista olha pela varanda e conclui que nada faz sentido. O anarquista acredita que não é necessário um poder centralizador, e que as pessoas podem, por cooperação espontânea, gerir o próprio bairro e a sociedade. Já o misantropo despreza as pessoas, os anarquistas, os niilistas, a cooperação, a varanda, o bairro e o Estado.