Por volta de 23h45 desta sexta-feira (19) as primeiras mensagens de alerta extremo começaram a chegar em celulares de Curitiba. Nas duas horas seguintes, celulares no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pará, Mato Grosso e outros estados começaram a disparar com o texto "misantropia" e um forte sinal sonoro acordando muita gente na madrugada. Até que a plataforma foi tirada do ar.

Tudo indica que a credencial de um usuário com acesso total ao sistema IDAP (Interface de Divulgação de Alertas Públicos) operado pelo MIDR (Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional) foi roubada pelo atacante para esse fim.

Esse incidente demonstra de novo como o país está à deriva na questão de cibersegurança. Um estudo feito nos EUA sobre a desmoralização de sistemas de alerta mostrou que isso tem um custo claro em vidas. Falsos alarmes em sistemas oficiais elevam as fatalidades esperadas em calamidades públicas em até 29% e o número de pessoas feridas em até 32%.

É o efeito chamado "cry wolf": se alguém grita lobo sem razão, as pessoas passam a ignorar e até bloquear os alertas. O dano não é só um susto, mas o descrédito de um bem público que salva vidas

Para entender a dimensão do problema é fundamental compreender a cadeia de responsabilidade. O sistema de alerta é hoje coordenado pela Anatel, em conjunto com uma série de parceiros que incluem as prestadoras de serviço de celular, o Sindicato Nacional de Empresas de Telefonia Móvel, o MIDR e a Presidência da República.