Segundo o banco distrital, o "evento está relacionado a situação específica e individual, sem impacto na estrutura de controle, na governança ou nas operações do banco" BRB confirma acordo com investidor acusado de comprar ações do banco para fundos ligados ao Master — Foto: Divulgação O Banco de Brasília (BRB) confirmou a notícia divulgada pelo Valor de que fez um acordo com o investidor Daniel de Faria Jerônimo Leite para que ele cedesse as ações que comprou do banco por R$ 90,5 milhões. Auditoria contratada pelo BRB suspeita que a operação faça parte de um esquema em que empresas do “ecossistema Reag/Master” tenham sido usadas para adquirir ações do BRB. Questionado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a notícia divulgada pelo Valor, o BRB disse que firmou transação com o investidor. “A medida foi adotada no contexto das iniciativas judiciais voltadas à preservação dos interesses patrimoniais da Companhia. Não obstante a manifestação favorável do Ministério Público, a transação permanece pendente de homologação pelo Poder Judiciário e, portanto, ainda não produziu os respectivos efeitos.” Segundo o BRB, o evento está relacionado a situação específica e individual, sem impacto na estrutura de controle, na governança ou nas operações do banco, “não tendo sido identificados efeitos econômicos ou patrimoniais relevantes decorrentes do estágio atual do processo.” Conforme o Valor mostrou, em 2024, quando estava promovendo um aumento de capital, o BRB saiu à caça de investidores e encontrou interesse de alguns fundos. Entretanto, como era um aumento mediante subscrição privada, só poderia participar quem já era acionista do banco. A solução encontrada pelo então CEO do BRB, Paulo Henrique Costa (que hoje está preso), foi pegar dois acionistas, Adalberto Valadão Júnior, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), e Leonardo Oliveira de Ávila, presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal (Codese). A situação de Daniel Leite é semelhante. Ele se comprometeu a devolver os R$ 90,5 milhões em ações para o BRB, mas seus advogados disseram que foi aberto um “procedimento arbitral para apuração de responsabilidade e reparação de prejuízos decorrentes da operação”. O Valor apurou que a arbitragem foi movida contra os fundos responsáveis por vender as ações e não envolve o banco estatal. De acordo com a auditoria forense contratada pelo BRB, feita pelo escritório Machado Meyer e a Kroll, Leite tomou empréstimo de R$ 93,7 milhões em abril de 2025 com a fintech Qista, que na época era controlada pela Reag, e pagou R$ 90,5 milhões para comprar parte das ações do fundo Asterope, que por sua vez havia comprado do fundo Verbier.