Projeções indicam grande número de pessoas em regiões onde termômetros ultrapassarão 35ºC, enquanto dois terços da população do continente devem enfrentar cenários com 30ºC 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pedestre bebe água enquanto caminha pela via expressa Georges Pompidou, em Paris — Foto: Simon Wohlfahrt/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 09:33 Onda de Calor na Europa: Temperaturas Recordes e Emergências Adotadas A Europa enfrenta uma onda de calor extrema devido a um "domo de calor", com temperaturas ultrapassando 41°C na França e quase 100 milhões de pessoas afetadas. O fenômeno, intensificado pelo El Niño, provoca alertas de incêndios e mortes. Países como França, Reino Unido e Espanha adotam medidas de emergência. O aumento da temperatura global e a falta de infraestrutura adequada agravam o cenário. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A onda de calor extremo provocada pelo "domo de calor" que se estabeleceu sobre a Europa fez com que ao menos 94 milhões de pessoas enfrentassem temperaturas acima dos 35ºC nesta quarta-feira, sobretudo na França e na Espanha. O fenômeno climático, intensificado pela formação de um super El Niño no Pacífico sul e por condições especiais no Atlântico norte, provocou uma série de alertas por parte das autoridades, que temem as consequências extremas como incêndios florestais e mortes por calor. O cálculo das quase 100 milhões de pessoas enfrentando calor intenso foi feito em uma projeção da AFP, com base na análise das previsões do serviço meteorológico alemão e projeções populacionais do Centro Comum de Pesquisa da União Europeia de 2025. Ainda de acordo com a mesma projeção, o total de pessoas enfrentando temperaturas acima dos 30ºC chega a mais de 350 milhões, excluindo a Turquia — o que representa quase dois terços da população europeia. À medida que o dia avançava, as cidades de todo o continente foram sentindo os efeitos práticos das altas temperaturas. Termômetros em Nantes, na França, registraram 41°C por volta das 13h (8h em Brasília) — o que fez a cidade ser a mais quente do continente ao menos momentaneamente. Outras cidades francesas, como Bordeaux (39,3ºC), Toulouse e Paris (ambas, 37ºC) tiveram calor intenso. — Estamos sufocando — disse Nordine El Kaouri, de 48 anos, trabalhador da indústria automotiva em uma fábrica da Renault em Douai, no norte da França. — Sentimos ondas de calor. Algumas pessoas até desmaiam às vezes. É extremamente, extremamente difícil manter o ritmo de trabalho. O governo francês, que já havia liberado algumas áreas designadas dos canais de Paris para banho, anunciou o fechamento temporário de atrações turísticas — incluindo o Museu do Louvre e a Torre Eiffel — e o fechamento ou adaptação de 6 mil escolas para lidar com o calor. Alertas sobre possíveis interrupções no transporte ferroviário também foram emitidos, uma vez que há risco de deformação dos trilhos. Uma pessoa usa um leque para se refrescar enquanto viaja de ônibus durante uma onda de calor em Londres — Foto: Toby Shepheard/AFP Medidas similares foram anunciadas do Reino Unido à Belgica, também atingidos pela onda de calor. Na Espanha, Bilbao registrou os mesmos 39,3ºC de Bordeaux, enquanto Stuttgart (Alemanha) e Londres viram os ponteiros chegarem a 33ºC nesta quarta-feira. Na maioria desses casos, os efeitos do calor são agravados pelo fato de edifícios e infraestruturas não serem projetados para suportar altas temperaturas. Em um canteiro de obras em Londres, o eletricista Harrison Hammond, de 29 anos, disse que os chefes orientaram os funcionários a levarem o calor a sério, mas que a situação foi "bem diferente" durante a viagem de trem para casa, em Essex, a leste da capital britânica, na noite de terça-feira. — Eles não ligaram o ar-condicionado. Todo mundo estava realmente sofrendo — disse a AFP. Janelas cobertas por lençóis na tentativa de refletir o calor, enquanto a França enfrenta uma onda de calor, em Nantes, no oeste da França — Foto: Sebastien Salom-Gomis/AFP Ao contrário de países tropicais, a instalação de aparelhos de ar-condicionado em residências e mesmo em alguns espaços comunitários, como escolas, não é uma constante em países europeus. Apesar disso, o aumento da temperatura global e as frequentes ondas de calor dos últimos anos estão mudando o cenário, mesmo onde havia certa resistência. Em lares franceses, a taxa de instalação de ar-condicionado aumentou um terço em dois anos, passando de 18% em 2023 para 24% em 2025, segundo a Agência para a Transição Ecológica. Ativistas ambientais, que apontam o custo energético da popularização dos aparelhos, estão em disputa aberta com quem defende o direito da população buscar conforto térmico, diante de uma mudança estrutural dos padrões climáticos — cientistas apontam que a atual onda de calor foi "significativamente agravada pelas mudanças climáticas induzidas pela ação humana". Europa bate recordes de temperatura com 'domo de calor' — Foto: Arte/O GLOBO Temperaturas recorde ainda são esperadas à medida que o "domo de calor" se move para o leste da Europa. O serviço meteorológico da Polônia emitiu alertas de calor de alto nível para a parte oeste do país entre quinta-feira e sábado, prevendo que as temperaturas poderão superar o recorde de 40,2°C estabelecido em 1921. A popular costa do Mar Adriático, na Croácia, também foi colocada sob alerta vermelho para sexta-feira e sábado, enquanto a Hungria informou que adotará o nível máximo de alerta entre sábado e terça-feira. (Com AFP)
'Domo de calor' faz termômetro marcar 41ºC na França, enquanto quase 100 milhões enfrentam temperaturas extremas na Europa
Projeções indicam grande número de pessoas em regiões onde termômetros ultrapassarão 35ºC, enquanto dois terços da população do continente devem enfrentar cenários com 30ºC
















