PUBLICIDADE Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, morto em 2024 após cumprir pena por corrupção e crimes contra a Humanidade, candidata venceu a rejeição ao sobrenome mais polarizador do Peru 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A candidata à presidência do Peru, Keiko Fujimori, do partido Força Popular, discursa para seus apoiadores — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 08:55 Keiko Fujimori à Beira da Vitória nas Eleições do Peru com Vantagem Irreversível Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, está prestes a vencer as eleições presidenciais do Peru, após perder em três tentativas anteriores. Com 99,86% das urnas apuradas, ela possui 50,12% dos votos, uma vantagem irreversível sobre Roberto Sánchez. Apesar do legado controverso de seu pai, Keiko, aos 51 anos, tenta suavizar sua imagem e aposta na promessa de "ordem" para atrair eleitores. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A peruana Keiko Fujimori é uma perdedora contumaz na política. Ela disputou a Presidência do país em três eleições consecutivas — e perdeu três vezes. Mas, nesta quarta tentativa, a filha do falecido e desacreditado ex-presidente Alberto Fujimori está à beira da vitória. Com 99,86% das urnas apuradas, Fujimori tinha 50,12% dos votos, uma vantagem de pouco mais de 43 mil votos sobre seu rival de esquerda, Roberto Sánchez, e que não pode mais ser revertida, segundo as autoridades eleitorais. Aos 51 anos, ela enfrentou Sánchez em um segundo turno apertado realizado no último 7 de junho, sob a ainda divisiva herança política de seu pai, que governou o Peru na década de 1990. Em um país acostumado à instabilidade política e que teve oito presidentes desde 2016, Keiko não precisa fazer grande esforço para se projetar nacionalmente. Seu sobrenome é conhecido em todos os cantos do Peru. — É uma “marca” que está bem posicionada, gostem ou não — afirma o cientista político Jorge Aragón, acrescentando que a quarta tentativa da candidata pode ser a que a levará finalmente à Presidência. Elegante e bem preparada, com seus terninhos impecáveis e sorriso treinado, Keiko parece alguém criada para a política. Formada em Administração nos Estados Unidos, ela foi parlamentar, liderou o partido Força Popular e cresceu nos corredores do poder. Aos 19 anos, tornou-se primeira-dama depois que sua mãe rompeu publicamente com Alberto Fujimori, e cresceu convivendo com chefes de Estado e líderes estrangeiros. Dinastia Alberto Fujimori conduziu o Peru durante a turbulenta década de 1990, derrotando os rebeldes maoístas do Sendero Luminoso e controlando a hiperinflação. Mas acabou desacreditado, exilado e preso por corrupção e crimes contra a Humanidade. Por décadas, o sobrenome Fujimori ajudou e assombrou Keiko ao mesmo tempo, garantindo reconhecimento imediato, eleitores fiéis e amplas redes políticas — mas também muitos críticos. — Sinto falta dele — disse ela à AFP em abril. — Mas, por onde passo, as pessoas me lembram dele e me contam histórias. Milhões de peruanos guardam lembranças mais sombrias de seu pai e se recusam a votar em qualquer pessoa que carregue o sobrenome Fujimori, bloqueando seu caminho à Presidência em três ocasiões. — Nos últimos 25 anos, fomos governados por governos anti-Fujimori — afirmou ela, abrindo uma única exceção para Alan García. — Todos os outros se concentraram em insultos e em gerar ódio e divisão entre os peruanos. Críticos responsabilizam ela e seu partido por grande parte da instabilidade política do Peru, citando a forte influência e as articulações da legenda Força Popular no Congresso. Esta foi sua primeira campanha presidencial sem o pai, que morreu em 2024. Com a criminalidade agora como principal preocupação dos eleitores, ela apostou no legado dele resumido em uma única palavra: “ordem”. — Acredito que os peruanos querem um Fujimori — disse ela. — Aqui estou. Pessoas próximas a descrevem como alguém perseverante, determinada e disciplinada. À AFP, seu candidato a vice-presidente, Miki Torres, disse que “cada golpe que Keiko recebeu na vida não a quebrou; deixou-a ainda mais forte do que qualquer um poderia imaginar”. Ela passou mais de um ano em prisão preventiva enquanto era investigada por suposta lavagem de dinheiro ligada ao escândalo de corrupção da Odebrecht. O caso continua sem desfecho. Por muito tempo vista como uma figura confrontadora, Fujimori tentou suavizar sua imagem e se apresentar como alguém mais conciliadora. — Cometi erros — afirmou durante um debate presidencial. — Aprendi com eles e voltei muito mais forte. Keiko, cujo nome significa em japonês “filha abençoada”, ficou conhecida popularmente como “a chinesa”, apelido que recebeu ainda na escola por causa dos olhos puxados. Mãe de duas filhas, de 18 e 16 anos, e divorciada de um americano, ela afirmou em uma entrevista biográfica que aprender a ser mãe foi mais difícil do que disputar a Presidência. — A barra está alta, e espero conseguir superá-la — declarou à AFP.
Quem é Keiko Fujimori, a ‘maior perdedora’ da política peruana que está prestes a vencer a eleição
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, morto em 2024 após cumprir pena por corrupção e crimes contra a Humanidade, candidata venceu a rejeição ao sobrenome mais polarizador do Peru











