Autoridade eleitoral ainda não declarou oficialmente um vencedor do pleito e pretende fazê-lo em meados de julho A direitista Keiko Fujimori abriu uma vantagem intransponível na disputa do segundo turno das eleições do Peru, colocando-se no caminho para se tornar a nova presidente do país. Segundo dados mais recentes da autoridade eleitoral, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori, candidata à Presidência pela quarta vez, passou a ter uma distância de 43.386 votos sobre o esquerdista Roberto Sánchez, restando apenas 40.213 votos a serem contabilizados. A autoridade eleitoral ainda não declarou oficialmente um vencedor e pretende fazê-lo em meados de julho. A divulgação do resultado do segundo turno foi adiada devido à revisão de votos contestados, à chegada tardia de cédulas vindas do exterior e à diferença extremamente apertada entre os candidatos. A esperada vitória de Keiko amplia a guinada à direita na América Latina, após a eleição do candidato antissistema Abelardo De La Espriella na Colômbia no domingo. Preocupados com a criminalidade, eleitores têm migrado para candidatos que prometem adotar políticas duras na segurança. Na tarde de terça-feira, Sánchez alegou que uma “fraude estava em andamento”, sem apresentar provas, e afirmou que se recusaria a reconhecer o resultado da eleição, levantando a perspectiva de uma prolongada crise política no Peru. Sánchez havia solicitado a anulação de milhares de votos registrados no exterior, que em sua maioria favoreceram a adversária, mas o Júri Nacional de Eleições do Peru rejeitou o pedido na noite de terça-feira. Keiko deverá herdar um país que teve oito presidentes em oito anos e que enfrenta profundas desigualdades econômicas entre a capital e as regiões rurais, além de um forte desencanto da população com a classe política. Dos oito ex-presidentes, nenhum concluiu um mandato completo. Três sofreram impeachment e um renunciou após apenas seis dias no cargo. Quatro ex-presidentes estão atualmente presos, e o pai de Keiko, Alberto Fujimori, cumpriu 16 anos de prisão por violações de direitos humanos cometidas durante sua década no poder nos anos 1990. Keiko, que nas campanhas anteriores buscou se distanciar do legado do pai, passou a abraçá-lo nesta eleição, apresentando-se como uma líder forte, capaz de impor ordem e estabilidade em um momento em que os eleitores enfrentam o aumento dos casos de extorsão e homicídios. Keiko Fujimori em entrevista a TVs peruanas — Foto: Alessandro Cinque/Reuters