Com mais de 99,8% das urnas apuradas até a manhã desta quarta, Keiko aparecia com 50,11% dos votos, contra 49,88% do candidato esquerdista Roberto Sánchez. Uma diferença de cerca de 43 mil votos. Leia mais abaixo. Apesar disso, a vitória de Fujimori sobre Sánchez ainda deve demorar um pouco para ser declarada de forma oficial, segundo a mídia peruana. A espera para o mundo conhecer o vencedor do pleito pode durar até meados de julho, por volta do dia 15, segundo o jornal "El Comercio". O pleito ocorreu há quase três semanas, no dia 7 de junho, mas a demora para sair o resultado já era esperada. Isso porque o Peru é historicamente lento em suas apurações, o que já lhe rendeu o título informal de "país da apuração interminável". Isso ocorre por conta de fatores como cédulas de papel, zonas eleitorais remotas, voto no estrangeiro e pouca margem entre candidatos. O Escritório de Processos Eleitorais do Peru (ONPE, na sigla em espanhol) afirmou na terça-feira que está esperando o envio de resoluções de algumas das atas eleitorais que estão nas mãos do Jurado Nacional de Eleições (JNE) —órgão eleitoral máximo peruano— para poder concluir a contabilização as atas restantes ao cálculo oficial e concluir a apuração. Segundo o "El Comercio", os 60 membros do JNE realizam audiências para processar cada uma das atas eleitorais antes de passá-las para o ONPE. O órgão teria marcado sessões para até esta sexta-feira (26), e cerca de 10 atas ainda não teriam data marcada para serem analisadas, ainda segundo o jornal. Dado esse processo, fontes afirmaram ao "El Comercio" que o JNE acredita conseguir transmitir os resultados oficiais ao ONPE até 7 de julho, e as credenciais para o próximo governante do país seriam entregues no dia 15. Vantagem irreversível de Keiko Fujimori Keiko Fujimori, candidata de direita em eleição presidencial no Peru. Foto de 19 de junho de 2026. — Foto: REUTERS/Stifs Paucca/File Photo Keiko Fujimori alcançou uma vantagem insuperável no segundo turno das eleições presidenciais no Peru na madrugada desta quarta-feira (24), segundo a contagem realizada pela autoridade eleitoral peruana, a ONPE. Com 50,118% dos votos, a candidata de direita deve ser eleita presidente do Peru apesar do adversário Roberto Sánchez já ter dito que não reconhecerá o resultado (leia mais abaixo). A vantagem insuperável de Keiko foi alcançada por volta das 2h desta quarta, no horário de Brasília. A candidata direitista estava com 9.206.241 votos, frente aos 9.162.855 de Sánchez, que contabiliza 49,822% dos votos, segundo a autoridade eleitoral peruana, a ONPE. Faltam cerca de 40 mil votos a serem contabilizados, com 99,859% das urnas apuradas. Como a diferença atual entre os dois candidatos é de pouco mais de 43 mil votos, Fujimori terminaria a apuração na frente mesmo se Sánchez levasse todos os votos restantes. Roberto Sánchez e Keiko Fujimori — Foto: REUTERS/Alessandro Cinque e REUTERS/Stifs Paucca Sánchez contesta resultado Na terça-feira (23), Sánchez alegou fraude nas eleições e convocou seus apoiadores para novas marchas de protesto no sábado (27). O esquerdista disse ainda que pedirá recontagem. "Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori", disse Sánchez, acusando a ONPE, autoridade eleitoral do Peru, e a campanha de Fujimori de irregularidades nos votos depositados no exterior. Roberto Sánchez lidera protesto no Peru com 99% das urnas apuradas As autoridades eleitorais peruanas já vêm revisando as cédulas contestadas do segundo turno de 7 de junho há pouco mais de duas semanas. Roberto Sánchez, do partido Juntos por el Perú, chegou a liderar a apuração durante dias, mas Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, voltou a passar à frente devido aos votos de cidadãos peruanos no exterior. Na segunda-feira (22), o candidato de esquerda apresentou um novo recurso para anular os votos dos peruanos residentes fora do país. Sánchez alega supostas irregularidades administrativas e problemas na gestão das cédulas de votação pelo órgão eleitoral no pleito realizado no exterior. Advogados especializados em direito eleitoral, ouvidos pelo jornal local El Comercio, afirmam que o pedido não tem fundamento jurídico e serve apenas para atrasar a proclamação oficial dos resultados.