Troca é defendida até por auxiliares diretos do senador, que apontam risco de o governo ser tragado para o escândalo do Master e perder discurso usado para atacar Flávio Bolsonaro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 21:38 Pressão por saída de Jaques Wagner no Senado cresce por crise Master A pressão para a saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado cresce devido ao impacto do caso Master na imagem de Lula. Sidônio Palmeira, da Secom, articula a mudança, temendo danos eleitorais. A troca é debatida entre senadores do PT, com Camilo Santana e Teresa Leitão como possíveis substitutos. A situação ameaça a "República da Bahia" e pode afetar eventos importantes na Bahia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A pressão interna para a saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado aumentou diante do temor de impacto do caso Master na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputará a reeleição. A troca é defendida inclusive por auxiliares diretos, que apontam risco de o governo ser tragado para o escândalo e perder um discurso que tem usado para atacar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula. Quatro governistas afirmam que o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, é um dos articuladores da mudança, o que o chefe da pasta nega. Outros auxiliares de Lula no Palácio do Planalto reforçam o coro, alegando ser importante separar o governo de um problema pessoal. Uma reunião entre o presidente e o senador deve acontecer hoje e definir o desfecho da crise, segundo assessores presidenciais. Em paralelo, integrantes da bancada do PT no Senado já debatem uma possível substituição. Sidônio e outros integrantes do Planalto próximos a Lula atuam para conter eventuais danos eleitorais, enquanto Wagner resiste a deixar o posto e se fia na amizade de mais de 40 anos com o presidente. Abalo entre aliados O caso provocou fissuras na “República da Bahia”, que ganhou força justamente com a chegada de Sidônio ao Planalto em janeiro de 2025 — o grupo já reunia Wagner e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, que deixou o posto em abril para disputar uma vaga no Senado pela Bahia. Todos nasceram no estado e integram o núcleo principal de conselheiros de Lula no terceiro mandato. Esse grupo, por exemplo, articulou a ida de Wellington César Lima e Silva para o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública com a saída de Ricardo Lewandowski. Wagner e Sidônio são aliados históricos na Bahia. O marqueteiro foi o responsável pela campanha vitoriosa do senador em 2006, ano em que PT passou a comandar o governo baiano. Sidônio, no entanto, faz cálculos eleitorais ao defender a saída do aliado. Uma eventual mudança necessita de uma costura delicada, segundo assessores presidenciais, porque o senador mantém relação pessoal com Lula. Além de frequentador assíduo do Palácio da Alvorada, ele viajou com o presidente em novembro de 2022, logo após a vitória sobre Jair Bolsonaro, para uma casa de praia na Ponta do Camarão, no Sul da Bahia. A pressão para a saída cresceu ao longo dos dias, assim como a sensação no entorno de Lula de que as explicações de Wagner não foram suficientes após ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal, na última quinta-feira. A investigação aponta que ele teria recebido “vantagens indevidas” do Banco Master, de Daniel Vorcaro, para favorecer interesses do banqueiro e seu ex-sócio Augusto Lima. O parlamentar negou envolvimento, disse que atuou contra os interesses do Master e acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a anulação da operação. De acordo com relatos de governistas, há uma preocupação também com o momento da eventual saída de Wagner da liderança do governo. Auxiliares defendem que ela ocorra o quanto antes para evitar contaminar o evento do 2 de Julho, data comemorativa da Independência da Bahia, em que o governo federal deverá anunciar medidas no estado. Todo ano o próprio Lula viaja a Salvador para participar das festividades e, desta vez, estão previstas a inauguração de um hospital em Alagoinhas e a reinauguração do Teatro Castro Alves, na capital. Ainda em julho deve ocorrer um evento no canteiro de obras da ponte que vai ligar Salvador à Ilha de Itaparica. Com a iminência de uma mudança, senadores petistas abriram conversas sobre e possível substituição, e os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE) aparecem como os principais cotados. A hipótese de permanência de Wagner perdeu força na bancada do partido nos últimos dias. Ex-ministro da Educação, Camilo é apontado por parte do PT como o melhor nome por conta da interlocução política com Lula e também com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Mesmo em momentos de distanciamento entre Lula e Alcolumbre, acentuado desde o final do ano passado por conta da queda de braço pela nomeação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), Camilo manteve proximidade com o presidente do Senado e chegou a acompanhá-lo em inaugurações de equipamentos da área de educação no Amapá. No entanto, há uma avaliação de que o ex-ministro da Educação precisa focar nas articulações das eleições e evitar que o governo do Ceará saia das mãos do PT. O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) tem ameaçado o projeto de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O próprio nome de Camilo é citado como possibilidade de candidato a governador, caso Ciro cresça nas pesquisas e consolide um favoritismo. Por conta disso, o entendimento é que a líder do PT na Casa, Teresa Leitão, pode ser um nome melhor para substituir Wagner. Com mandato até 2030, ela teria mais disponibilidade para ficar em Brasília na reta final do Congresso. Apesar da indefinição, aliados do governo não veem uma disputa que divida o partido. Governistas avaliam que a função neste momento está esvaziada por conta da proximidade das eleições, o que reduz a pauta no Senado. Atuação questionada Como líder do governo no Senado, Wagner se tornou a voz de Lula na Casa, mas teve sua atuação questionada por governistas nos últimos meses. Gerou contrariedade entre auxiliares do presidente da República, por exemplo, um acordo firmado sem aval do Planalto sobre a votação do projeto da dosimetria que favoreceu Jair Bolsonaro. Wagner negociou com a oposição que o governo não atrapalharia a tramitação do projeto e, em contrapartida, opositores não impediriam avanço de proposta que aumentava a arrecadação do Executivo. A atuação do senador também foi questionada com a derrota da indicação de Messias para uma vaga no STF, impondo revés histórico a Lula. O líder do governo apresentava ao Planalto e ao próprio Lula um panorama favorável à aprovação do chefe da AGU. Também pesa contra Wagner o fato de o senador ter dito para Lula mais de uma vez que não teria nenhum tipo de envolvimento com Vorcaro e o escândalo do Master.