As pesquisas qualitativas estão trazendo um sinal fino que poucos estão enxergando 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Eleitora mulher é um leque que a média costura numa pessoa só que não existe — Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 21:25 "Complexidade do Voto Feminino em Lula: Diversidade e Desafios" A análise qualitativa das eleitoras de Lula revela nuances importantes. Apesar do apoio majoritário entre mulheres, há distinções significativas: Dona Maria do Socorro vota por segurança econômica, Vera enfrenta desafios familiares que dificultam o voto, enquanto Tatiana, autônoma, busca respeito e autonomia, sem depender do governo. Essa diversidade reflete tensões internas no eleitorado feminino, crucial para futuras eleições. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Dona Maria do Socorro tem 64 anos, vive no sertão de Pernambuco e sobrevive da pensão. Tatiana tem 33, faz sobrancelha numa sala montada na garagem, em Mauá, no ABC paulista. Vera tem 53, mora em Suzano e cuida da mãe acamada em tempo integral, sem salário fixo. Três mulheres, quase a mesma cor de pele, e três eleições diferentes acontecendo dentro do mesmo voto. A primeira leitura da pesquisa parece encerrar o assunto. O Datafolha mostra Lula vencendo Flávio Bolsonaro entre as mulheres por 52% a 37% no segundo turno. E não é um número solto: todas as pesquisas recentes apontam na mesma direção, com vantagens que vão de 9 a 19 pontos. Entre as mulheres, o presidente lidera. Ponto. É aí que mora a armadilha. Média é foto tirada de longe. Quem chega a dez metros vê a imagem se desfazer. Olhe com atenção as diversas pesquisas. Entre as donas de casa, a vantagem de Lula sobe para 56% a 38%. Entre as mulheres que ainda dependem diretamente de uma rede pública, ela é ainda maior. Já entre as que se viram sozinhas, encolhe. “A mulher” não é um bloco. É um leque que a média costura numa pessoa só que não existe. Dona Socorro não tem dúvida. A pensão dela é a renda da casa inteira, e ela liga cada centavo desse dinheiro ao governo que conhece. Para ela, votar não é escolha de campanha, é defesa de um chão que custou a conquistar. É a mulher que ainda enxerga o Estado como rede embaixo dos próprios pés. Vera vive perto disso: o medo dela não é trocar de lado, é não conseguir chegar à urna no dia, presa ao quarto da mãe. Cuida de todo mundo e ninguém pergunta quem cuida dela. Tatiana é outra história. Não recebe Bolsa Família, paga o MEI todo mês, racha o aluguel com o marido, que dirige por aplicativo, e fecha as contas no susto. Quando ouve que depende do governo, se ofende. Não depende de ninguém. Nas nossas pesquisas qualitativas aqui no Instituto Locomotiva, é essa mulher que mais aparece com uma frase seca na ponta da língua: quer respeito, não pena. E é ela que está mudando. As pesquisas estão trazendo um sinal fino que poucos estão enxergando. Entre quem ganha até dois salários mínimos, a avaliação positiva do governo caiu de 39% para 36% num mês, e a negativa subiu de 28% para 31%. É a base popular, justamente onde Lula construiu sua história, começando a fazer barulho. Minha hipótese é simples: essa corrosão não chega primeiro na Dona Socorro, que tem a rede. Chega na Tatiana, que não tem. Por isso não é uma disputa entre o voto da mulher e o voto do homem. É uma disputa dentro da própria mulher: entre a que ainda tem rede e a que se sente fora dela. E aqui vale o recado para os dois lados. Quem comemora os 52% como cofre lacrado não entendeu nada. E quem aposta que basta gritar segurança e punição para virar esse voto vai descobrir que a Tatiana não quer polícia na porta nem discurso. Ela quer que parem de tratá-la como coitada. A mulher que decide 2026 não é a Maria do Socorro, que fechou o voto há 20 anos. É a Tatiana, que ninguém convenceu ainda. E que desconfia, com razão, de quem só aparece de quatro em quatro anos para explicar a vida dela.
As três eleitoras de Lula
As pesquisas qualitativas estão trazendo um sinal fino que poucos estão enxergando






