Recorrer a todo tipo de medida eleitoreira às portas da urna, como Lula vem fazendo, pode se revelar um trabalho de Sísifo diante de sinais ambíguos mostrados por pesquisa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e ministros seguram faixa em defesa do Pix — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 10:01 Desafios do Governo Lula em Conquistar Eleitores Indecisos no Brasil A pesquisa Quaest revela a complexidade de conquistar eleitores indecisos no Brasil, destacando a dificuldade de agradar a um público com expectativas econômicas ambíguas. As medidas do governo Lula, como o programa Desenrola e a reforma do IR, mostram aceitação parcial, apesar de não beneficiarem a todos diretamente. O desafio é comunicar efetivamente as políticas em meio à polarização ideológica e expectativas divergentes, para que se transformem em apoio eleitoral. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A profusão de dados da mais recente rodada da pesquisa Quaest expõe com clareza inédita algo que, difusamente, já é perceptível pelo menos há alguns anos: a dificuldade de agradar a um eleitor cada vez menos claro a respeito do que espera dos governos, sobretudo na condução da economia. Se, no passado, a ideia de que bem-estar econômico era fácil de medir e imediatamente se traduzia em votos para o governante de turno, hoje as variáveis são mais subjetivas, e a métrica de satisfação com a própria situação financeira e a economia do país não é linear. As perguntas voltadas a medir o impacto das mais recentes medidas do governo Lula para tentar atuar nessa seara são reveladoras dessa ambivalência, que nos casos mais extremos ganha ares de bipolaridade pura e simples. O novo Desenrola é uma política de que 61% já ouviram falar. Entre quem considera a iniciativa uma boa ideia (50%) e reconhece que ela ajuda um pouco (20%), a acolhida é bem positiva. Em seguida, no entanto, 80% dizem não ter se beneficiado do programa de renegociação de dívidas. Mas, ainda assim, 71% dizem que sua renda melhorou após sua adoção. Paradoxo semelhante acontece em relação à reforma do Imposto de Renda. Poucos dizem ter se beneficiado, numa primeira pergunta, mas 57% em seguida afirmam que sua renda aumentou ao menos um pouco. A isenção do IR ajuda a dar uma pista: a aceitação da mudança cresceu de forma paulatina, mas consistentemente. E essa melhora coincide com a superação do momento de pior avaliação de Lula. Assim como o dilema entre o que veio antes, o ovo ou a galinha, é difícil cravar se a melhora geral do humor com o governo —motivada, como mostra a pesquisa, também por notícias do campo da política— tem impacto na percepção a respeito da economia ou o contrário. O mais provável é que as duas coisas se retroalimentem. Mas o que desafia analistas e estrategistas de campanhas é que, por mais que esse escrutínio a respeito da economia melhore, ele está longe de ser coincidente com os indicadores gerais. Embora o desemprego esteja num período de mínima histórica, 53% cravam que está mais difícil encontrar emprego que há um ano. A inflação, ou ao menos a sensação de carestia, segue dominando a avaliação desse eleitor que, por mais que acompanhe as medidas, parece não se sentir de todo contemplado por elas. Esse escrutínio descolado dos dados estatísticos é um desafio para qualquer incumbente. Mesmo o velho expediente de recorrer a todo tipo de medida eleitoreira às portas da urna, como Lula vem fazendo sem cerimônia, pode se revelar um trabalho de Sísifo. Isso porque o saldo final sempre dependerá de diversas variáveis: tempo para que as iniciativas cheguem à ponta, maneira como são comunicadas e, não desprezível, o filtro ideológico, hoje tão presente que condiciona de forma inexorável a avaliação final. Diante desse eleitor bipolar, uma antiga máxima do marketing político, o “É a economia, estúpido!”, explicação cunhada por James Carville para explicar o êxito de Bill Clinton nos Estados Unidos em 1992, se torna relativa ou datada. A economia e seu impacto na vida pessoal e familiar dos eleitores continua, por óbvio, norteando suas principais decisões, o voto entre elas. Mas o bombardeio de informações a que todos são submetidos a toda hora, a famigerada polarização ideológica e as expectativas mais dissonantes dos diferentes grupos populacionais a respeito de seu próprio futuro e do país tornam muito mais difícil para os candidatos e seus assessores traduzir os dados em uma rota clara a perseguir. Até aqui, Lula é aquele que, na base da tentativa e erro, mais tem mirado no bolso para tentar atingir o coração e a mente dos eleitores. Flávio Bolsonaro, tragado pelo inferno astral particular de Master e encontro com Donald Trump, nem chega a esboçar uma agenda econômica. A confusão exibida pela pesquisa mostra que não será tarefa simples.