Painel da Bolsa de Tóquio — Foto: Eugene Hoshiko, File/AP Photo As recompras de ações anunciadas por empresas listadas no Japão entre janeiro e maio aumentaram 34% em relação ao ano anterior, atingindo 16,2 trilhões de ienes (US$ 100 bilhões), um recorde para o período e próximo do total de 2025, impulsionadas pela redução de participações cruzadas e pelo esforço para melhorar a eficiência de capital. Embora o número de empresas que iniciaram programas de recompra durante os primeiros cinco meses de 2026 tenha caído 14% em relação ao ano anterior, para cerca de 620, as recompras em larga escala impulsionaram o valor total. Até sexta-feira, os programas de recompra anunciados haviam chegado a 16,4 trilhões de ienes. O Grupo Sony e a Hitachi, ambas com projeção de lucro recorde para o ano fiscal 2026, que termina em 31 de março de 2027, anunciaram recompras de até 500 bilhões de ienes cada. A capacidade da Sony de gerar fluxo de caixa operacional aumentou, permitindo que ela impulsione o retorno aos acionistas enquanto realiza investimentos estratégicos, afirmou Tao Lin, diretor financeiro. A Hitachi não realizou grandes fusões ou aquisições no ano fiscal anterior. A empresa utilizou seus fortes lucros para reforçar o retorno aos acionistas. A política da empresa é "alocar fundos para investimentos em crescimento se uma oportunidade de investimento atender aos nossos critérios estratégicos e taxa de retorno mínima exigida, mas se tais oportunidades não existirem, utilizamos os fundos para recompra de ações", disse Tomomi Kato, diretora financeira. As ações em tesouraria detidas por uma empresa são deduzidas do patrimônio líquido, elevando o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE). Ao contrário dos dividendos, que são difíceis de reduzir depois de aumentados, as recompras de ações flexíveis são comumente utilizadas para diminuir o caixa disponível. As recompras de ações continuam em ritmo acelerado, mesmo com o índice referencial da Bolsa de Tóquio, o Nikkei, em níveis recorde, refletindo a demanda dos investidores por maior eficiência de capital. "O caixa e equivalentes de caixa das empresas estão se acumulando, e a pressão dos investidores sobre essas reservas de caixa está aumentando", disse Tomochika Kitaoka, estrategista-chefe de ações japonesas da Nomura Securities. A fabricante de ar-condicionado Daikin Industries recomprou cerca de 350 bilhões de ienes usando uma plataforma de negociação fora do leilão da Bolsa de Valores de Tóquio, após pressão da gestora ativista Elliott Investment Management. Algumas empresas realizaram grandes recompras de ações para adquirir ações detidas por outras empresas. A KDDI, do setor de telecomunicações, anunciou uma recompra de até 300 bilhões de ienes em maio, dos quais aproximadamente 250 bilhões de ienes foram obtidos por meio de uma oferta pública de aquisição envolvendo os principais acionistas, Toyota e Kyocera. Ambas haviam informado à KDDI seu desejo de se desfazer de suas participações. Mesmo algumas empresas que projetam queda nos lucros para o ano fiscal que termina em março estão implementando programas de recompra de ações, utilizando suas amplas reservas de caixa. Entre as que anunciaram recompras de ações juntamente com a divulgação de seus resultados em abril ou maio, cerca de 70 — 35% do total — previram uma queda no lucro líquido. A Fujitsu projeta um lucro líquido consolidado de 310 bilhões de ienes para o ano fiscal que termina em março, uma queda de 31%, devido principalmente à redução dos ganhos com a venda de ações no ano anterior. Com foco no aumento da geração de fluxo de caixa e na eficiência do capital, o diretor financeiro Takeshi Isobe afirmou: "Embora haja algumas flutuações devido aos investimentos em crescimento, planejamos expandir nossas recompras de ações para além de 150 bilhões de ienes no médio e longo prazo". Alguns analistas de mercado preveem que as recompras de ações para o ano fiscal 2026 completo ultrapassarão 20 trilhões de ienes, superando os 17,7 trilhões de ienes previstos para o ano fiscal 2025. As robustas recompras de ações, tendo ao fundo a incerteza no Oriente Médio, são "um sinal de confiança no desempenho futuro das empresas", disse Kitaoka.
Recompras de ações no Japão superam US$ 100 bilhões, impulsionadas por Sony e Hitachi
Recompras de ações no Japão superam US$ 100 bilhões, impulsionadas por Sony e Hitachi
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