O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi: 'China está disposta a continuar a fornecer assistência à sua maneira' — Foto: Shannon Stapleton/Reuters A China busca ajudar o Irã na reconstrução após Teerã ter assinado um acordo com os Estados Unidos para o fim da guerra, visando apoio econômico e diplomático que, por sua vez, poderia ajudar Pequim a garantir o petróleo importado do qual depende. Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, reuniu-se com Ghadir Nezamipour, vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, em Nova Déli. "A China está disposta a continuar a fornecer assistência à sua maneira e a desempenhar um papel construtivo na restauração da paz e tranquilidade regional o mais breve possível", disse Wang. A China está focando em ajuda humanitária emergencial. Pequim afirmou em 17 de junho que em breve fornecerá suprimentos médicos e de ajuda humanitária ao Líbano — que também está envolvido em conflito com Israel — para "ajudar seu povo a se recuperar e reconstruir, e a melhorar a economia e os meios de subsistência". Na reunião em Nova Déli, Wang disse a Nezamipour que a China promoverá laços mais estreitos entre o Irã e os países do Golfo Pérsico. As relações se deterioraram depois que o Irã lançou ataques retaliatórios contra infraestrutura energética e instalações militares americanas nos países do Golfo. Pequim valoriza suas relações com os países do Golfo, bem como com o Irã — dos quais depende para o fornecimento de energia — e mantém contato com autoridades de alto escalão de cada um. Espera-se que atue como mediadora para ajudar a aliviar as tensões entre eles. Wang está na Índia para uma reunião do bloco Brics, que reúne economias emergentes, cujos membros também incluem o Irã e os Emirados Árabes Unidos. O grupo tem previsão de realizar uma cúpula em Nova Déli em setembro. O Irã também é membro da Organização de Cooperação de Xangai — outro grupo de economias emergentes liderado pela China e pela Rússia — que realizará uma cúpula no Quirguistão a partir do final de agosto. A China pretende usar o Brics e a OCS, que não incluem os Estados Unidos, para assumir a liderança no fornecimento de ajuda ao Irã. Alguns observadores argumentam que a guerra entre Estados Unidos e Irã fortaleceu a presença de Pequim no Oriente Médio. Rumi Aoyama, professor da Universidade Waseda, no Japão, especializado em diplomacia chinesa, descreveu a China como um "centro estratégico onde se concentravam as informações sobre a situação no Oriente Médio". A China mantém canais de diálogo tanto com Washington quanto com Teerã e desfruta de relações amistosas com o Paquistão, mediador do conflito, do qual é fornecedora de armas. Os ministros das Relações Exteriores do Irã e do Paquistão visitaram a China frequentemente durante as negociações para o fim da guerra, a fim de relatar a situação. A guerra com o Irã também pode ter beneficiado Pequim em suas relações com Washington. Com os Estados Unidos priorizando esse conflito, foram forçados a aliviar a pressão sobre a China em questões de segurança e comércio. Ainda assim, Pequim acolheu bem o memorando de entendimento para o fim da guerra, pois a estabilidade no Oriente Médio é crucial para sua segurança energética. O aumento dos preços dos combustíveis e das matérias-primas, causado pela guerra, afetou negativamente a economia chinesa. A China importa cerca de 70% do seu petróleo bruto, sendo que aproximadamente metade desse volume provém do Oriente Médio. Estima-se que a China compre cerca de 90% do petróleo exportado pelo Irã, inclusive por meio de terceiros países como a Malásia. Por sua vez, o Irã deposita grandes esperanças no apoio econômico chinês. Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do parlamento iraniano e principal negociador de Teerã, afirmou em junho que a China é um "país único para nós" e que o Irã é um "parceiro de pleno direito" para Pequim. Qalibaf, que também atua como representante especial do Irã para assuntos da China, disse que os dois países serão "parceiros definitivos e insubstituíveis em todas as áreas" em "qualquer bloco que venha a surgir". Mas uma China que apoie o Irã em excesso pode correr o risco de atritos com os Estados Unidos e os países do Golfo. Se as relações de Pequim com Washington se desestabilizarem e os Estados Unidos adotarem uma postura mais agressiva, isso poderá prejudicar objetivos como a unificação de Taiwan com a China continental. Enquanto isso, as tensões entre o Irã e os países do Golfo podem afetar o fornecimento estável de petróleo bruto e gás natural. "A China conduzirá sua diplomacia no Oriente Médio, incluindo o apoio ao Irã, mantendo-se atenta ao equilíbrio com os Estados Unidos e os países do Golfo", afirmou Aoyama.
China oferece ajuda pós-guerra ao Irã de olho no petróleo como contrapartida
China oferece ajuda pós-guerra ao Irã de olho no petróleo como contrapartida











