Escrevo esta coluna na segunda-feira (22), poucas horas antes do início da premiação nacional da edição 2025 da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas). Alguns andares abaixo, no subsolo do centro de convenções, no Rio de Janeiro, 684 estudantes do 6º ano do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio, oriundos de todo o território brasileiro, aguardam, excitados e um tiquinho ansiosos, o momento de receberem suas medalhas de ouro das mãos do presidente da República, do ministro da Educação, da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação e de tantas outras autoridades confirmadas na cerimônia. Momento ainda mais especial porque comemora os 20 anos de existência da Obmep.

Nenhum desses estudantes medalhistas tinha nascido quando, em 2004, o Impa levou à Presidência da República a proposta de criação de uma olimpíada de matemática para o universo da escola pública, capaz de identificar talentos e oferecer oportunidades a todos os jovens brasileiros, sem exceção, particularmente os mais humildes.

Não faltaram resistências: ideológicas ("olimpíada é competição, não tem lugar na sala de aula"), elitistas ("aluno de escola pública não se interessa, nem consegue fazer") e outras. Mas, nessas duas décadas, a Obmep só fez crescer e se consolidar como uma de nossas mais bem-sucedidas políticas públicas de educação. Hoje, mais de 23 milhões de estudantes participam todo ano na Obmep, incluindo alunos de escolas privadas, e na sua irmã caçula, Obmep Mirim, para crianças dos anos iniciais do ensino fundamental (do 2º ao 5º ano).