Lembro-me do espanto quando, numa salinha do instituto onde fazia o mestrado, lá pelos anos 1990, um único computador estava ligado à internet. Não havia fila para usá-lo: a maioria não tinha entendido o que aquilo era nem como se usava. Mudaria depressa.
Primeiro enviávamos emails a um colega na Dinamarca; para visitar sites, copiávamos os endereços à mão para um papel e os datilografávamos no Mosaic. O interesse maior estava nos fóruns.
Lembro-me de mostrarmos um ao nosso professor de civilizações pré-clássicas, que estudava uma língua oriental recôndita, talvez única em Portugal: os olhos esbugalharam-se ao ver que ali, em tempo real, gente de todo o mundo trocava informação sobre o mesmo tema em que ele se sentia tão só. De repente, nenhum nicho era assim tão nicho.
A sensação foi a mesma que Tim Berners-Lee, inventor da World Wide Web, relata nas suas memórias: isto tem de ser para toda a gente. E toda a gente pensou o mesmo: que todos deveriam ter acesso, que os modems deveriam ser acessíveis, que o público e o privado deveriam garantir uma infraestrutura de redes, que os provedores de acesso deveriam ser incentivados, ou regulados, para alargar a oferta de forma universal, que deveria haver uma governança global a assegurar a estabilidade e o livre acesso aos endereços. O que fosse preciso.








