Deputada acusou a direção do partido de privilegiar dirigentes partidários e nomes recém-chegados à legenda Erika Hilton (Psol-SP), deputada federal — Foto: Foto: Gabriel Reis/Valor A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) reclamou publicamente nesta terça-feira (23) do comando do Psol e acusou a direção do partido de privilegiar dirigentes partidários e nomes recém-chegados à legenda em uma proposta de distribuição do fundo eleitoral para as campanhas desse ano. As críticas foram feitas em uma publicação na rede social X e foram acompanhadas por manifestações semelhantes de outros pré-candidatos do partido. Na postagem, Erika afirmou estar "chocada e decepcionada" com a condução do processo e acusou a direção partidária de descumprir acordos firmados com lideranças que decidiram permanecer no Psol para ajudar a legenda a superar a cláusula de barreira nas próximas eleições – votação mínima exigida pela legislação para o partido ter acesso a recursos partidários. Segundo a deputada, ela e outras lideranças permaneceram no partido com o compromisso de fortalecer a bancada de esquerda e apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas agora estariam sendo prejudicadas por uma proposta que prevê o repasse do fundo eleitoral de forma desigual, na opinião da deputada. "Não se faz política escondendo os problemas debaixo do tapete ou com tentativas de sabotagem", escreveu. Em outro trecho, afirmou que o partido está "rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando". Erika também alegou que as particularidades de sua campanha estariam sendo ignoradas pela direção partidária. A deputada destacou que, por ser uma parlamentar negra e travesti, necessita de uma estrutura de segurança e logística mais robusta para percorrer o Estado de São Paulo durante a campanha eleitoral. A parlamentar direcionou críticas ao presidente da federação Psol-Rede, Juliano Medeiros, que assumiu o comando da entidade neste ano após presidir o Psol, e à presidente nacional do partido, Paula Coradi. Segundo ela, uma proposta em discussão colocaria Juliano, que disputará sua primeira eleição, na mesma faixa de prioridade para recebimento de recursos que sua candidatura. Erika também afirmou que a ex-deputada gaúcha Manuela D'Ávila, recém-filiada à sigla e pré-candidata ao Senado, teria previsão de receber mais que o dobro dos recursos destinados a algumas lideranças já consolidadas da legenda. "É uma tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico", escreveu. A deputada também criticou mudanças na política interna de inclusão da legenda. Segundo ela, a direção partidária teria desmontado mecanismos nacionais que garantiam ajustes nos repasses com base em critérios de gênero, raça e pessoas com deficiência. As críticas foram acompanhadas por outras lideranças da sigla. Entre elas está o vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo, pré-candidato a deputado federal e fundador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Para ele, a direção partidária está prestes a repetir erros cometidos nas eleições municipais de 2024, quando, segundo ele, recebeu menos recursos do que outras candidaturas consideradas prioritárias. O vereador destacou que acabou se tornando o mais votado do Psol no Rio de Janeiro e acusou a direção de favorecer determinados perfis de candidatos. "Talvez o problema não esteja nas candidaturas, mas nos critérios", escreveu. Partido diz que objetivo é ampliar bancadas Em nota, a direção nacional do Psol afirmou que a proposta de distribuição dos recursos eleitorais busca ampliar as bancadas federal e estaduais da legenda, conquistar cadeiras no Senado e contribuir para a reeleição do presidente Lula. O partido também negou que haja discussão sobre o fim de políticas de incentivo a candidaturas de grupos sub-representados. Segundo a legenda, "o incentivo — inclusive financeiro, no qual o Psol é pioneiro — a candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTs e PCDs é uma política consolidada, não havendo debate em torno de mudanças nesse sentido". A direção partidária afirmou também que a proposta, que ainda será submetida às instâncias internas, estabelece um teto de recursos para todos os parlamentares que disputarão a reeleição. O Psol também contestou a avaliação de que Erika seria prejudicada. Segundo a legenda, a deputada terá o maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do partido. Na nota, o partido conclui que pretende ampliar a diversidade de sua representação institucional. "O Psol tem como missão fazer a política brasileira se parecer mais com o povo. Por isso, nossa bancada é a mais diversa do Congresso Nacional. Em 2026, vamos novamente transformar esse compromisso em representação concreta." De acordo com uma fonte do Psol ouvida pelo Valor, a proposta foi elaborada por Juliano Medeiros em conjunto com Paula Coradi e passará por votação nos diretórios das duas legendas. A previsão é de que esse processo ocorra na semana que vem. A mesma fonte acrescenta que o acordo citado por Erika era de que a federação prometeu que ela e outros parlamentares seriam mais beneficiados pois atuariam como puxadores de votos em seus respectivos Estados. No início de junho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou os valores do fundo eleitoral para as eleições de 2026. O Psol terá direito a R$ 131,5 milhões, enquanto a Rede receberá R$ 35,8 milhões. Juntas, as duas legendas contarão com aproximadamente R$ 167 milhões dos cerca de R$ 4,9 bilhões distribuídos entre os partidos. As maiores parcelas ficarão com o PL, que receberá cerca de R$ 881 milhões, seguido pelo PT, com aproximadamente R$ 615 milhões, e pelo União Brasil, com cerca de R$ 526 milhões.
Erika Hilton diz que Psol descumpre acordo sobre fundo eleitoral
Deputada acusou a direção do partido de privilegiar dirigentes partidários e nomes recém-chegados à legenda






