Com cerca de um terço da época 2026 do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 decorrido, o Conselho Mundial do Desporto Automóvel (WMSC), reunido esta terça-feira em Macau, na China, para a conferência semestral da Federação Internacional do Automóvel (FIA), aprovou, entre outras medidas, as alterações regulamentares aos motores para as temporadas de 2027 e 2028.A ratificação das actualizações a introduzir nos regulamentos desportivo, técnico e financeiro de 2026, surge na sequência do acordo alcançado na primeira semana de Junho, visando a redução gradual da componente eléctrica nas unidades motrizes.O Conselho Mundial do Desporto Automóvel da FIA formalizou as mudanças referentes à repartição entre a vertente térmica e a eléctrica, anunciadas pelo organismo a 10 de Junho, numa medida que vai ao encontro das aspirações dos pilotos, notoriamente agastados com os actuais regulamentos.Assim, o rácio percentual de 53/47 do motor de combustão interna e da vertente eléctrica, será gradualmente ajustado até 2028, com 58/42 em 2027 e 60/40 no ano seguinte. Um ajuste que, na opinião dos pilotos, poderia ser ainda mais acentuado, com uma maior redução da componente eléctrica.A maior flexibilidade na gestão energética é uma das preocupações dos pilotos, que nos primeiros Grandes Prémios de uma temporada com forte domínio da Mercedes (seis vitórias em sete corridas) foram confrontados com a necessidade de adoptarem algumas estratégias de corrida insólitas, afastando-se de uma linha de competição mais pura.Os novos ajustes regulamentares incluem, de acordo com a FIA, “alterações específicas à potência dos motores de combustão interna, ao fluxo de combustível e à utilização do sistema de recuperação de energia”, além da já mencionada flexibilidade de gestão de energia.Uma medida que visa diminuir o profundo impacto da regulamentação de 2026 e as críticas motivadas pelo forte peso da parte eléctrica dos monolugares, como a frontalmente assumida pelo bicampeão mundial Fernando Alonso (Aston Martin) e pelo tetracampeão mundial Max Verstappen (Red Bull), um dos que mais problemas tem sentido para se impor, ocupando mesmo um modesto sétimo posto no Mundial de pilotos, com 55 pontos, já a 101 do líder Kimi Antonelli, da Mercedes.Verstappen, que em 2025 ficou a dois pontos de conseguir o quinto título mundial consecutivo, esbatendo a clara vantagem dos McLaren, tem sido uma das vozes mais críticas, deixando, inclusive, em aberto a possibilidade de abandonar a Fórmula 1. Categoria que o neerlandês vê como uma espécie de Fórmula E com esteróides, defendendo que as corridas de carros eléctricos têm o seu próprio campeonato e não devem “contaminar” a Fórmula 1.Inovação e sustentabilidadePara o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, “a discussão em torno dos conceitos das unidades de potência — incluindo motores V8 movidos a combustíveis sustentáveis —, demonstram a disposição de todas as partes em participar na construção do próximo capítulo”.Nessa medida, foram incluídas alterações relativamente à declaração de “perigo de temperatura”, que pode ser dividida entre a sprint race e a corrida principal.Já em condições de reduzida aderência, pista molhada e visibilidade reduzida, foi reintroduzido o modo boost, enquanto a função de ultrapassagem será desactivada, numa alteração introduzida por motivos de segurança.Já a partir de 2027 será aumentada de três para quatro dias a duração dos testes de pré-temporada, motivada pela complexidade da nova geração de monolugares.“Juntos, continuaremos a explorar a melhor direcção a seguir para o futuro do Campeonato do Mundo. Sempre tendo em linha de conta a forma como poderemos equilibrar inovação, sustentabilidade, desempenho e atractividade para os amantes da Fórmula 1”, referiu Ben Sulayem, citado pelo site oficial da competição.
Fórmula 1 aprova novos rácios para os motores até 2028
Pressão dos pilotos leva Federação Internacional do Automóvel a rever regulamentos para reduzir componente eléctrica, na tentativa de equilibrar a inovação, a sustentabilidade e o desempenho








