O Ministério Público pediu nesta terça-feira que o ex-presidente da Junta de Freguesia da Estrela (e actual presidente da concelhia de Lisboa do PSD) e o ex-presidente da Junta de Santo António, ambas em Lisboa, vão a julgamento no âmbito do processo Tutti-Frutti.No debate instrutório, que começou no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, a procuradora Andrea Marques dedicou a manhã a nove dos 59 arguidos — sendo expectável que as suas exposições se prolonguem por mais sessões, uma vez que faltam dezenas de arguidos —, pedindo ao tribunal que os nove acusados sigam para julgamento.Entre eles está o ex-presidente da Junta de Freguesia da Estrela, Luís Newton, acusado de crimes de corrupção passiva e prevaricação. O Ministério Público pediu também a ida a julgamento do antigo presidente da Junta de Freguesia de Santo António, Vasco Morgado, recentemente nomeado pelo executivo de Carlos Moedas para director de planeamento e produção de eventos da EGEAC, empresa municipal de cultura.Nesta sessão em tribunal, a procuradora também defendeu que o irmão de Sérgio Azevedo (ex-deputado social-democrata e também arguido neste processo), Francisco Azevedo, e Ângelo Pereira, ex-vereador do PSD na Câmara Municipal de Lisboa, devem ser julgados.O processo centra-se em alegados favorecimentos a militantes do PS e do PSD através de avenças e contratos públicos atribuídos pelas juntas de freguesia lisboetas. O Ministério Público acredita que houve acordos entre os dois partidos para a escolha dos candidatos às juntas para facilitar vitórias, acordos de governação e, posteriormente, contratos e atribuição de apoios financeiros.Em 2025, foi deduzida acusação contra 60 arguidos, contando-se neste momento 59 acusados, uma vez que Fernando Braamcamp, antigo presidente da Junta de Freguesia do Areeiro e acusado de 39 crimes de corrupção passiva, morreu em Abril deste ano. O Ministério Público diz que Sérgio Azevedo é a peça central neste alegado esquema. A ele é reclamado que devolva mais de 123 mil euros ao Estado.Quando foi acusado, no ano passado, Luís Newton suspendeu o mandato de deputado na Assembleia da República durante alguns meses, mas manteve-se como presidente da Junta da Estrela até às eleições autárquicas, às quais já não pôde concorrer por limitação de mandatos. Vasco Morgado também abandonou a presidência da Junta de Santo António em 2025, pelo mesmo motivo.Entre os arguidos, além dos já mencionados pelo Ministério Público durante a manhã, está ainda o ex-deputado Carlos Eduardo Reis, recentemente eleito líder da distrital de Braga do PSD. O Ministério Público chegou a investigar Fernando Medina, antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, mas este não foi acusado, uma vez não ter sido possível deduzir que Fernando Medina tivesse actuado “com o propósito inequívoco” de beneficiar outros arguidos.O debate instrutório que começou nesta terça-feira é a última fase da instrução e tem como objectivo ouvir os argumentos do Ministério Público e das defesas dos arguidos para que o juiz de instrução possa avaliar se existem, ou não, indícios suficientes para que o processo siga para julgamento.
MP pede ida a julgamento de ex-presidente da Junta da Estrela na Operação Tutti Frutti
Luís Newton, presidente da concelhia lisboeta do PSD, manteve-se na liderança da junta vários meses depois de ser acusado. Vasco Morgado, recentemente nomeado para a EGEAC, também é acusado.







