A Operação Imergente resultou na detenção de cinco pessoas, mas a identidade dos visados pela investigação colocada no terreno pela Polícia Judiciária (PJ) nesta quinta-feira está a ser divulgada a "conta-gotas". Muitos destes têm, porém, fortes ligações ao Partido Socialista (PS), força política no centro deste caso. Em causa estão suspeitas de crimes de prevaricação, que se reflectiam na adjudicação de contratos em câmaras municipais e juntas de freguesia lideradas pelos socialistas, nomeadamente a de Santa Maria Maior, em Lisboa. No total, foram mobilizados cerca de 400 inspectores e peritos, para o cumprimento de 92 mandados de busca. Quem são os suspeitos? E o que os liga ao PS?Miguel CoelhoO histórico ex-presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior de Lisboa, deputado socialista entre 1995 e 2019, é o nome mais sonante da investigação. Durante perto de década e meia foi dirigente nacional deste partido e líder da concelhia de Lisboa, sendo suspeito de ter contratado muitos militantes para prestar serviços nesta autarquia.Nascido a 4 de Julho de 1952, Miguel Coelho filiou-se no PS em 1976 e, a partir de então, foi-se envolvendo na vida partidária. Acabaria por chegar a deputado na Assembleia da República em 1995, nas legislativas que ditariam o fim do cavaquismo e a subida de António Guterres a primeiro-ministro. Coelho manteve-se no Parlamento até 2019, percorrendo sete legislaturas, sempre em representação do círculo eleitoral do distrito de Lisboa.