Prejuízo inicial é estimado em mais de R$ 5 milhões Polícia Civil apura esquema de descontos do BRB em mais de 3.500 contas de aposentados e pensionistas do DF — Foto: Gregg Newton/Bloomberg A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Parasitas, que apura um esquema de descontos associativos pelo Banco de Brasília (BRB) em mais de 3.500 contas de aposentados e pensionistas vinculados ao governo local. O prejuízo inicial é estimado em mais de R$ 5 milhões. A investigação também verifica a eventual participação de pessoas ligadas à operacionalização dos descontos e à manutenção do modelo de arrecadação investigado. Foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária, três mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em Minas Gerais, incluindo Belo Horizonte e Igaratinga. No DF, as medidas ocorrem em regiões como Plano Piloto, Asa Sul, Asa Norte, Recanto das Emas, Brazlândia e Jardim Botânico. Entre os alvos estão sedes de associações investigadas por suposta participação no esquema. Segundo o BRB, a operação teve início a partir de notícia crime encaminhada, pelo próprio banco, às autoridades policiais, após a identificação de irregularidades em movimentações financeiras e indícios de descumprimento de normas de compliance. Como medida administrativa, três empregados foram afastados de suas funções, até a conclusão das investigações e a verificação de eventual responsabilidade. “O BRB destaca que os fatos sob investigação não dizem respeito à atual administração do BRB, e reforça que quaisquer fatos irregulares identificados serão punidos com os rigores cabíveis, dentro dos procedimentos normativamente estabelecidos”, informou o banco. Em nota divulgada, o BRB ainda destacou que repudia quaisquer práticas criminosas, em especial aquelas que violem direitos de públicos vulneráveis, e reforçou seu compromisso com a integridade, a conformidade e a transparência, e sua colaboração permanente e integral com as autoridades competentes. A governadora do DF, Celina Leão (PP), postou em rede social nesta terça-feira que determinou na semana passada que o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, contratasse uma auditoria externa para a folha de pagamentos do GDF para apurar denúncias de possíveis irregularidades nos descontos de salários e benefícios de servidores ativos e inativos e pensionistas do GDF. Além disso, será aberto um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) interno. “O objetivo é ir atrás dos recursos retirados dos servidores e pensionistas do GDF. Determinei, ainda, que a PGDF busque meios legais para garantir o ressarcimento dos recursos dos servidores públicos. O salário, as aposentadorias e pensões dos servidores do GDF são sagrados.” Na sexta-feira (19), o MPDF e Polícia Civil deflagraram a Operação Juros Zero, que investiga a atuação do BRB, do BRB Serviços, do Iprev (fundo de previdência dos servidores públicos do DF), da Secretaria de Economia, da empresa PicPay e outras associações no esquema de desconto de folha de servidores do DF. A Operação Parasitas foi feita em conjunto com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Conforme o MPDFT, um dos alvos da operação é a associação Centro de Assistência e Integração dos Servidores Públicos (Cassisp). A entidade já era investigada pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) por descontos não autorizados na folha de pagamento de servidores do Distrito Federal. Outras associações também são suspeitas. Conforme o MPDFT, o promotor de justiça Leonardo Jubé disse que, quando a ação civil pública foi ajuizada, a Promotoria já estava em contato com a Divisão Antifraudes da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor (Corf), que conduziu as investigações criminais, ainda em curso. Também prosseguem as apurações no âmbito do inquérito civil público. O MPDFT explicou que, em maio, a Prodecon ajuizou ação civil pública e obteve liminar que determinou a suspensão imediata de qualquer débito automático nas contas de clientes do BRB que tivessem como beneficiária a Cassisp, pois havia indícios de irregularidades na captação de associados e de cobranças sem consentimento. O convênio entre Cassisp e BRB foi firmado em 2024 e permitia os descontos nas contas dos servidores sob a justificativa de mensalidades associativas ou de planos de assistência jurídica. A associação usava autorizações precárias obtidas por telefone, sem comprovação de identidade ou consentimento real das vítimas, muitas das quais idosas.
Polícia Civil apura esquema de descontos do BRB em mais de 3.500 contas de aposentados e pensionistas do DF
Prejuízo inicial é estimado em mais de R$ 5 milhões










