Com o veto à exportação de modelos de inteligência artificial da Anthropic, os Estados Unidos provaram que podem apertar o "botão de desligar" a tecnologia do mundo da noite para o dia, e isso mostra que países devem buscar urgentemente a soberania digital.

Essa é a mensagem da economista italiana Francesca Bria, assessora da Comissão Europeia para soberania tecnológica. Bria é fundadora da iniciativa EuroStack, base do pacote de leis de soberania digital que a União Europeia anunciou na última semana.

Ela está no Brasil para participar do Future Affairs Forum, no Rio de Janeiro. O fórum ocorre até esta terça-feira (23) e trata do futuro da IA na sociedade e discute a construção da ferramenta em contexto democrático.

À Folha ela afirma que Washington deixou de ver a tecnologia como um tema meramente comercial e quer condicionar acesso ao poder computacional ao alinhamento político. Também ressalta o Pix como um exemplo prático de administração soberana de recursos tecnológicos.

"O Pix fez o que nenhuma regulação conseguiria: deu ao Brasil trilhos de pagamento que não pertencem à Visa, à Mastercard ou a um aplicativo do Vale do Silício. Isso não é apenas manter dados em casa. É manter o valor em casa. A infraestrutura é de propriedade brasileira, governada democraticamente, e o dinheiro que ela gera fica no país."