Os ativos congelados do Irã consistem principalmente em receitas de exportação de petróleo e reservas do banco central retidas no exterior, acumuladas ao longo de anos de sanções Navios ancorados no Estreito de Ormuz — Foto: Amirhosein Khorgooi/ISNA/Reuters via WANA O embaixador do Irã junto à ONU em Genebra, Ali Bahreini, afirmou, nesta terça-feira (23), que apenas o país decidirá como utilizar os ativos que forem desbloqueados no âmbito do acordo dos Estados Unidos, rejeitando a ideia de que Washington terá qualquer controle sobre esses recursos ou que eles serão usados para comprar commodities americanas. "Somente o Irã decidirá o que fazer com seus ativos, que serão descongelados. Portanto, rejeito qualquer alegação de que outro país terá algum papel ou influência nessas decisões ou nesses processos", afirmou ele a jornalistas em Genebra. Os EUA suspenderam, na segunda-feira (22), por 60 dias, as sanções sobre as vendas do petróleo do Irã, após a primeira rodada de negociações sobre um acordo definitivo entre os dois países. Cerca de US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados deverão ser liberados sob os termos do memorando de entendimento assinado pelas partes na semana passada. As declarações do enviado iraniano ocorrem após o vice-presidente americano, J. D. Vance, ter afirmado, an segunda-feira, que EUA e Catar teriam controle sobre os recursos quando fossem desbloqueados e que o dinheiro poderia ser gasto na compra de milho, soja e trigo dos EUA. A ideia foi reforçada nesta terça-feira pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em uma postagem nas redes sociais. "Os recursos e/ou o alívio de sanções liberados pelo Tesouro serão mantidos em uma conta de garantia sob controle americano e destinados à compra de alimentos e insumos médicos dos EUA", disse ele. Bahreini afirmou que dois grupos de trabalho serão criados nos próximos dias para discutir a remoção das sanções contra o Irã e questões relacionadas às atividades nucleares do país. Os ativos congelados do Irã consistem principalmente em receitas de exportação de petróleo e reservas do banco central retidas no exterior, acumuladas ao longo de anos de sanções. Segundo o enviado iraniano, haverá alguns arranjos técnicos entre Washington e Doha, já que os ativos foram congelados pelos Estados Unidos e parte deles está depositada no Catar. “Certamente o Irã não permitirá que eles exerçam influência adicional sobre outros processos relacionados à compra e importação de mercadorias. Isso é algo que o Irã, e somente o Irã, decidirá”, declarou. O diplomata iraniano na ONU afirmou que o alívio das sanções sobre a venda de petróleo e produtos químicos iranianos servirá como um teste que poderá ser estendido a outros setores e reiterou que o Irã busca a remoção completa das sanções. Bahreini também ressaltou a importância do fim dos combates no Líbano para o acordo entre EUA e Irã, em um momento em que Israel, aliado de Washington, enfrenta militantes do Hezbollah. “A linha vermelha do Irã é qualquer novo ataque contra o Líbano”, disse, pedindo que Washington “use toda a sua influência” sobre Israel para interromper a violência. Um cessar-fogo tem sido amplamente respeitado no sul do Líbano desde domingo. Ainda assim, a Defesa Civil libanesa e a imprensa estatal informaram que disparos israelenses mataram duas pessoas na região nesta terça-feira. O Hezbollah afirmou que o episódio violou o cessar-fogo. O Exército israelense declarou ter atingido “terroristas armados que representavam uma ameaça imediata” para seus soldados no sul do Líbano, mas não ficou claro se a operação mencionada era o mesmo incidente relatado pelas autoridades libanesas.