Igreja Metodista vizinha também foi atingida por disparos feitos durante operação policial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A marca do disparo perto do desenho feito pelo neto do morador — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 09:22 Tiroteio no Dona Marta: Balas Perdidas Atingem Residências em Botafogo Durante uma operação policial no Morro Dona Marta, disparos atingiram apartamentos na Rua São Clemente, em Botafogo. Um projétil atravessou a janela de um quarto infantil e parou a centímetros de um desenho feito por um neto de um morador. Uma igreja e outros imóveis também foram atingidos, gerando pânico entre os moradores. A operação visava membros do Comando Vermelho e resultou em intenso tiroteio e explosões. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A bala atravessou a janela, cruzou o quarto e parou na parede, a poucos centímetros de um desenho de coração pintado por uma das crianças da família. A cena foi registrada na manhã desta terça-feira por moradores de um apartamento na Rua São Clemente, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, resume o susto vivido por quem mora em frente ao Morro Dona Marta durante a operação da Polícia Civil que transformou o amanhecer da região em uma sequência de tiros e explosões. O GLOBO entrou em dois apartamentos atingidos por disparos durante o confronto, localizados ao de uma Igreja Metodista, que também acabou atingida. Por medo de represálias, os moradores pediram para não ter os nomes divulgados. A janela do apartamento perfurada por um tiro — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo Em um dos imóveis, no segundo andar, o projétil atravessou a janela de um quarto usado pelos três netos de um aposentado de 79 anos. O cômodo, conhecido pela família como “o quarto da bagunça”, reúne brinquedos, roupas, desenhos e lembranças das crianças. Foi ali, ao lado do quadro pintado pelo neto, que a bala deixou sua marca de pelo menos tres centímetros na parede. — Graças a Deus eu não dormi neste quarto. Este é o quarto da bagunça. A maior parte dos objetos é dos meus netos. Tem brinquedos, roupas, quadros. Também tem um guarda-roupa da minha esposa. Se fosse no fim de semana, eles estariam aqui. Graças a Deus meus netos não estavam. Eles só vêm nos fins de semana — contou o morador. A janela estilhaçada pelo tiro — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo Ele relata que acordou por volta das 5h da manhã com o estrondo dos disparos. O quarto onde dorme fica mais distante da fachada do imóvel. Mesmo assim, o barulho o fez levantar imediatamente: — O desespero foi tanto que fiquei entre as paredes tentando entender o que estava acontecendo. Tive medo até de colocar o rosto perto da janela e ser atingido. Operação da Polícia Civil no Morro Santa Marta 1 de 7 Policiais civis circulam pelo Morro Santa Marta, em Botafogo, durante operação contra integrantes do Comando Vermelho realizada na manhã desta terça-feira — Foto: Fabiano Rocha/O Globo 2 de 7 Equipes da Polícia Civil se concentram em uma das vias do Morro Santa Marta durante ação para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 Agentes da Polícia Civil permanecem posicionados em área da comunidade durante a operação que mira a estrutura do Comando Vermelho no Santa Marta — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 4 de 7 Placa que proíbe o uso de celular é vista em área do Morro Santa Marta durante a operação policial desta terça-feira — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 7 Publicidade 5 de 7 Veículos blindados e equipes da Polícia Civil ocupam o entorno do Morro Santa Marta, em Botafogo, durante a ofensiva contra investigados por tráfico de drogas — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 6 de 7 Policiais civis percorrem um dos acessos do Morro Santa Marta para cumprir mandados expedidos pela Justiça contra investigados ligados ao Comando Vermelho — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 7 Publicidade 7 de 7 Agentes deixam o Morro Santa Marta após diligências realizadas durante a operação da Polícia Civil na comunidade, na Zona Sul do Rio — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo Policiais civis realizam operação no Morro Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra investigados ligados ao Comando Vermelho Pouco depois, percebeu o estrago deixado pelo disparo. — Minha pressão disparou. Tive que aferir. Moro aqui há mais de 20 anos. Imagina se meus netinhos estivessem aqui? — disse. No apartamento vizinho, uma moradora de 74 anos viveu situação semelhante. Uma bala atingiu a janela do quarto de hóspedes, cômodo onde ela antes costumava dormir. O projétil perfurou o vidro, espalhando estilhaços pela cama e pelo chão. Quando acordou, também por volta das 5h da manhã, ela ouviu o que descreve como um forte estrondo. Inicialmente, não encontrou nada de errado dentro de casa. Foi apenas ao lembrar que o quarto voltado para o morro estava fechado que decidiu verificá-lo. A cena encontrada a assustou. Estilhaços de vidro estavam espalhados por toda parte. A cama e o chão estavam tomados pelos fragmentos da janela destruída. — Faz 20 anos que não tinha esse problema. Eu me mudei recentemente para o Rio de novo. Estava morando no Vale do Cuiabá (em Petrópolis, na Região Serrana), mas voltei por causa do nascimento do meu neto. Meu Deus, lá eu acordava com passarinho. Aqui acordamos assim, com barulho de bomba e tiro — lamentou. 'Cenas de guerra': turistas se escondem no Mirante Dona Marta durante operação policial Por causa dos danos, o quarto ficou inutilizado temporariamente. A moradora conta que o receio de ocupar o cômodo já existia justamente por ele ficar voltado para a comunidade. — Agora uma amiga minha que viria no mês que vem não vai querer dormir ali — desabafou. Os disparos ocorreram durante a operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) no Morro Dona Marta. A ação, resultado de uma investigação de 22 meses, tem como alvo integrantes do Comando Vermelho que atuam na comunidade. O intenso tiroteio também atingiu imóveis do entorno e espalhou medo entre moradores da região logo nas primeiras horas da manhã.