Moradores de Botafogo, Humaitá, Laranjeiras e Copacabana relataram madrugada de intenso tiroteio; ação mira 44 integrantes de facção criminosa que atua no morro Santa Marta 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Registros feitos por moradores mostram clarões e movimentação na região do Dona Marta durante a madrugada desta terça-feira, quando uma intensa troca de tiros foi ouvida em bairros da Zona Sul do Rio, como Botafogo, Humaitá, Laranjeiras e Copacabana — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 06:57 Operação policial no morro Santa Marta busca 44 do Comando Vermelho Vídeos nas redes sociais mostram tiros e explosões na Zona Sul do Rio durante uma operação policial no morro Santa Marta, Botafogo. A ação visa prender 44 membros do Comando Vermelho. A operação, resultado de 22 meses de investigação, busca desarticular a estrutura criminosa liderada por "Ronaldinho Tabajara", preso, mas ainda influente. Helicópteros da polícia sobrevoaram a área. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Vídeos compartilhados por moradores nas redes sociais registraram uma sequência de tiros e explosões na região do Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, na madrugada desta terça-feira. Os disparos, segundo relatos publicados na internet e enviados ao GLOBO, começaram por volta das 5h30 e puderam ser ouvidos também no Humaitá, em Laranjeiras e em Copacabana. Nas publicações, moradores descreveram momentos de medo diante da intensidade do confronto. “Acordando com um número absurdo de tiros em Botafogo. Alguém sabe que tiros e bombas são esses? Não para de jeito nenhum”, escreveu um internauta. Outro afirmou que “nunca tinha escutado tantos tiros” na região e mencionou explosões semelhantes às de granadas. Imagens mostram, ainda, turistas e visitantes se abaixando para se proteger no Mirante Dona Marta, que também fica no morro. No vídeo, as pessoas aparecem assustadas e procuram abrigo enquanto disparos são ouvidos ao fundo. Também houve relatos de moradores de ruas próximas ao Dona Marta e de bairros vizinhos. “Muito tiro, escutando no Humaitá”, escreveu uma moradora. Outra afirmou que o barulho podia ser ouvido em Laranjeiras e atribuiu a ocorrência ao Dona Marta. Houve ainda quem levantasse a possibilidade de movimentação também na região do Tabajaras. Moradores da região registraram, ainda, o sobrevoo de helicópteros das forças policiais nas proximidades do morro. "Dois helicópteros sobrevoando o Santa Marta depois de meia-hora de título", escreveu um perfil no X. Entenda ação Na manhã desta terça-feira, 23 de junho de 2026, a Polícia Civil do Rio iniciou uma operação no morro Santa Marta, em Botafogo, por meio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). A ação, coordenada pelos delegados Moysés Santana, titular da especializada, e Paulo Saback, delegado assistente, tem como objetivo cumprir mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pela 26ª Vara Criminal da capital contra integrantes do Comando Vermelho. Helicóptero da Polícia Civil sobrevoa a comunidade Dona Marta, em Botafogo, durante operação realizada na manhã desta terça-feira para cumprimento de mandados contra investigados por tráfico de drogas e associação criminosa — Foto: Custódio Coimbra Segundo a Polícia Civil, a operação é resultado de uma investigação conduzida ao longo de cerca de 22 meses. Nesse período, foram realizadas ações de campo, monitoramentos, cruzamento de dados e outras medidas investigativas para identificar a estrutura do tráfico de drogas na região. As investigações apontaram que a localidade estaria sob domínio territorial de narcotraficantes fortemente armados, responsáveis pela venda de drogas, imposição de regras à população local, vigilância armada dos acessos e manutenção de uma estrutura criminosa voltada à continuidade das atividades ilícitas na comunidade. De acordo com a corporação, a liderança máxima da organização criminosa seria exercida por Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido como “Ronaldinho Tabajara” ou “R9”, atualmente preso no Sistema Penitenciário Federal de Segurança Máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Ainda segundo a investigação, mesmo custodiado em uma unidade federal, ele continuaria exercendo influência sobre a estrutura criminosa instalada no Santa Marta por meio de subordinados. Ronaldo Pinto Lima e Silva, o Ronaldinho Tabajara, quando foi preso em 2003 — Foto: Custódio Coimbra A Polícia Civil também identificou Francisco Rafael Dias da Silva, conhecido como “Mexicano”, como o principal responsável pela administração das atividades criminosas no morro Santa Marta. Ele exerceria a função conhecida no meio criminoso como “frente”, coordenando a logística do tráfico de drogas, a distribuição de funções entre integrantes da facção e a manutenção do domínio territorial armado. Ao todo, a investigação identificou 44 integrantes da facção criminosa, com funções específicas dentro da estrutura hierárquica, incluindo gerentes, seguranças armados, responsáveis pela comercialização de drogas, vigilantes de acessos e outros colaboradores. Segundo a Polícia Civil, os mandados foram deferidos diante do conjunto probatório reunido durante a investigação e têm como objetivo desarticular a estrutura criminosa instalada na região, coletar novos elementos de prova, enfraquecer a capacidade financeira e operacional do grupo e restabelecer a autoridade do Estado em uma área historicamente impactada pela atuação do narcotráfico armado. As investigações continuam para identificar outros envolvidos, aprofundar a análise dos elementos arrecadados durante o cumprimento das medidas judiciais e promover a responsabilização penal dos integrantes da organização criminosa.