Escrito e dirigido pela atriz e roteirista Leah McKendrick, longa traz referências explícitas a grandes personagens e histórias do universo da comédia romântica 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nick Robinson e Zoey Deutch em 'Mensagens para Isabelle' — Foto: Divulgação/Netflix RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você O longa-metragem "Mensagens para Isabelle" alcançou o topo dos mais assistidos da Netflix. A trama acompanha Jill deixando áudios para a irmã falecida. Sem saber, um desconhecido recebe as gravações e se apaixona pela protagonista. A produção faz referências diretas a clássicos como "Mensagem para você". Apesar de alguns excessos, a obra equilibra com sucesso o drama familiar e o romance. A atuação de Zoey Deutch sustenta o peso dramático. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No mundo habitado pelos protagonistas de "Mensagens para Isabelle", filmes como "Diário de uma paixão", "Mensagem para você", "A culpa é das estrelas" e "Simplesmente amor" fazem parte de sua educação sentimental, e os nomes de Meg Ryan, Tom Hanks, Hugh Grant e Heath Ledger têm um peso para além dos limites desta ficção lançada na sexta-feira (19) na Netflix. Longa-metragem mais assistido da plataforma em todo o mundo (incluindo o Brasil), "Mensagens para Isabelle" traz referências explícitas (diretas e indiretas) a grandes personagens e histórias do universo da comédia romântica, que podem podem ser demais para alguns espectadores. Mas, mesmo em seus excessos, o filme consegue a difícil tarefa de manter o equilíbrio entre romance, comédia e drama do início ao fim. Escrito e dirigido pela atriz e roteirista Leah McKendrick, "Voicemails for Isabelle" (no original) tem como personagem principal Jill, interpretada por Zoey Deutch ("Nouvelle Vague"), uma atriz talentosa tanto em drama quanto em comédia. Embora a sutileza não seja seu forte, neste caso, ela é ideal para personificar a aspirante a chef confeiteira que vive uma vida dupla há anos. Atenção: com spoilers a partir daqui Jill tem uma irmã mais nova, Isabelle, ou Izzy, que sofre de fibrose cística desde o nascimento e passa o tempo entre o quarto e o hospital. Tudo o que Izzy não pode vivenciar — o primeiro beijo, o baile de formatura, o emprego dos sonhos ou encontros desastrosos — Jill vivencia com ela, por ela. Quase como se cada tropeço valesse a pena só porque depois ela pode rir ou chorar sobre isso com sua amada irmã. Então, quando Jill confessa sofrer de um "caso grave de verborragia", ela não está exagerando. Pelo contrário. Jill tem muito a dizer, e a maior parte do que ela diz é para sua irmã. Mesmo depois da morte de Izzy. Desesperada para manter algum tipo de contato com ela, a protagonista continua discando o número de telefone dela e deixando as mensagens de voz que dão título ao filme. Claro, o que Jill não sabe é que a companhia telefônica já passou o número da irmã dela a outro cliente, Wes (Nick Robinson), um corretor de imóveis de Austin, Texas, que ouve as mensagens, inicialmente divertindo-se com as palhaçadas da pessoa que está gravando, e depois fascinado por ela mesmo antes de conhecê-la. Ou de procurá-la no Instagram. O "encontro fofo", ou encontro afetuoso, um clichê fundamental da comédia romântica, neste caso pertence à era dos aplicativos de namoro e mensagens diretas nas redes sociais. "Isso é como uma refilmagem distorcida de 'Mensagem para você'", diz a melhor amiga dela para Wes quando ele descobre que, apesar dos sentimentos que tem por ela, não consegue confessar que está ouvindo as fofocas dela há meses. No início do filme, o roteiro se concentra em estabelecer o laço fraternal que catalisa tudo o que se segue e em desenvolver as peculiaridades de Jill e seu mundo na padaria administrada por um chef absurdamente exigente, interpretado por Nick Offerman, onde ela compete por seu lugar na cozinha com um grupo de colegas ainda mais absurdos. É nessas cenas que o filme se perde um pouco e perde o tom, pendendo para um certo grotesco que, felizmente, não ocupa muito tempo no desenvolvimento da história. Uma vez estabelecida a personalidade da protagonista feminina, é a vez de Wes. Ele começa como um enigma, alguém que alega ser incapaz ou relutante em se comprometer com suas parceiras, embora permaneça incerto o que se passa com ele. Se é realmente um mistério ou simplesmente não tem interesse em aprofundar seus relacionamentos. E embora o filme eventualmente revele mais sobre seu passado, o personagem masculino não atinge o mesmo peso dramático que a protagonista feminina. Isso é compreensível, pois Jill e sua personalidade permeiam todos os aspectos da história. Apesar desse desequilíbrio, o vínculo entre o casal é construído por meio de montagens dos dois passeando por São Francisco, compartilhando refeições e lembranças. Além dos obstáculos, a grande conquista de "Mensagens para Isabelle" é que o romance entre Jill e Wes é doce e crível o suficiente para não parecer deslocado ao lado das histórias de amor que o inspiraram. Embora, como os amigos de Nick apontam, ele não seja Tom Hanks e Jill não seja Meg Ryan. Porque ninguém é, nem mesmo eles.