O advogado Abelardo de la Espriella venceu a eleição presidencial colombiana como outsider, numa arrancada na reta final. Em que medida o mesmo pode acontecer aqui com Renan Santos, do Missão, o partido do MBL?

Como De la Espriella, Renan se identifica como político de direita que não vem do campo tradicional. Sua bandeira mais importante é o combate ao crime organizado pela valorização da polícia e do Exército, tratando facções como organizações inimigas do Estado.

Como De la Espriella, Milei e Bukele, Renan faz uma campanha de redes que seus adversários não entendem. É o primeiro presidenciável nativo digital e isso aparece na força que tem entre os jovens. Ele e o restante dos nomes do Missão dedicam horas por semana a conversar com a base em lives. Programadores e estúdios de podcast não estão fora do escritório —fazem parte da operação.

Os mais de mil candidatos que o Missão pretende lançar neste ano se apresentam em duas chaves: preparados, com propostas reunidas no chamado Livro Amarelo; e destemidos, oferecendo-se em sacrifício. Denunciam uma aliança silenciosa entre esquerda e direita, que se ofendem publicamente, mas agem em sintonia para se perpetuar no poder.

No evento em que anunciou que concorrerá à reeleição como deputado, Kim Kataguiri, o outro nome mais conhecido do partido, pediu que a primeira operação policial do novo governo se chamasse Dona Cláudia, em homenagem à mãe, que o estimulou a revidar quando sofria bullying na escola.