No Palácio do Planalto, há uma pressão para que o senador deixe a função, sob o receio de prejuízos a Lula, e a expectativa é que o próprio parlamentar entregue o posto Para conter o impacto da crise do banco Master no governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir, nesta semana, com Jaques Wagner (PT-BA) para discutir uma eventual saída do senador da liderança do governo na Casa. No Palácio do Planalto, há uma pressão para que o senador deixe a função, sob o receio de prejuízos a Lula, e a expectativa é que o próprio parlamentar entregue o posto. A previsão é que a conversa entre Lula e Wagner, amigos há mais de 40 anos, aconteça na quarta-feira (24). Até o momento, ambos conversaram apenas por telefone. Inicialmente, era esperada uma reunião nesta segunda-feira (22) com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e os líderes do governo no Congresso para tratar sobre a pauta parlamentar. Esse encontro ocorre semanalmente. No entanto, com a pauta esvaziada no Senado nesta semana, a agenda não aconteceu hoje. Desde que o líder do governo foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, na última quinta-feira (18), ele está na Bahia e não retornou a Brasília. Neste período, Lula também teve agendas em outros Estados. Na sexta-feira (19), por exemplo, foi a Minas Gerais. Já nesta segunda-feira (22), está no Rio de Janeiro e deve cumprir compromisso em São Paulo amanhã (23). Por conta das agendas de viagem, o encontro entre eles deve ocorrer apenas na quarta. De acordo com as investigações, Wagner teria atuado em temas de interesse do Banco Master no Congresso, como nas questão do crédito consignado, do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e da aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). Interlocutores do Planalto afirmaram que o presidente não sabia previamente da ação contra Wagner. Em caso de substituição do líder, um nome cotado é o do ex-ministro da Educação Camilo Santana, que é senador. Porém, pessoas próximas a Santana dizem que o foco dele para este ano é ajudar na reeleição do atual governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e na vitória de Lula. Um auxiliar ligado à pré-campanha de Lula admitiu que as investigações envolvendo Wagner terão impacto no atual chefe do Executivo, porque o fato oferece munição ao bolsonarismo. Mas afirmou que uma estratégia será delimitar os espaços, situando Wagner na campanha pela reeleição na Bahia, e separando-o da campanha nacional. Por outro lado, uma fonte do Planalto observou que Lula não fará nenhum gesto precipitado por se tratar não apenas de seu líder no Senado, mas acima de tudo, de seu homem de confiança, que já desempenhou dezenas de missões políticas a seu pedido, e do amigo de quatro décadas, dos tempos do movimento sindical, o “Galego”. Jaques Wagner — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado