Adamastor Marques não deixava passar uma vírgula. Literalmente. Ele foi um dos jornalistas revisores mais conhecidos e queridos do Paraná, onde atuou por décadas em jornais como O Estado do Paraná e Gazeta do Povo.
Respeitado por "focas" (recém-formados) e chefes, entregava muito mais do que palavras corretas.
Munido de um sorriso gentil e uma caneta Bic, ele ensinava a riqueza da língua portuguesa. Revisou textos dos principais jornalistas do estado e também de grandes escritores, que eram colunistas nos anos 1980 e 1990, como observam ex-colegas. "Era um ‘xodó’ na Redação", diz Célio Martins.
"Com a página revisada, vinha sempre uma aula, e a gente nunca mais cometia o mesmo erro", afirma Erica Busnardo.
Também nas edições de livros (foram 42 obras) não se limitava a correções e detalhes técnicos. Sua revisão compreendia análise jornalística, cultural, histórica e literária. "Esmiuçava o texto com invulgar senso crítico, mas sem pretender ser o dono da verdade", destaca o amigo José Alexandre Saraiva.






