Advogados informaram ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que empresário foi retirado da cela sem aviso prévio e sem presença de sua defesa Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS — Foto: Lula Marques/ Agência Brasil O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, relatou ter sofrido uma batida policial em sua cela, no Complexo Penitenciário da Papuda, na semana passada, no mesmo dia em que seu filho estava internado em um hospital. Segundo a sua defesa, dois agentes penitenciários teriam retirado ele da cela sem avisá-lo previamente para questioná-lo sobre o interesse em fechar um acordo de delação premiada. Leia mais: Diante do ocorrido, a defesa pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator das investigações sobre as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que cobre informações da penitenciária sobre os responsáveis pelo episódio na cela e os motivos do interrogatório que foi realizado. O ofício foi enviado na última sexta-feira (19) e, segundo apurou o Valor, ainda não há decisão de Mendonça a respeito. O episódio teria ocorrido sem a presença dos advogados e foi relatado pela defesa doempresário na manifestação encaminhada ao STF. O Valor teve acesso a trechos da petição, que está sob sigilo. Nela, a defesa afirma que Antônio Carlos foi interrogado por cerca de uma hora por um casal de agentes penitenciários da Papuda, onde ele e seu filho estão detidos, no dia 17 de junho. Na madrugada do mesmo dia, o filho do empresário havia sido levado para um hospital devido a problemas de saúde e estava internado no momento que ele teria sido abordado pelos policiais em sua cela. Segundo a defesa, o motivo alegado para a batida seria um episódio de falta disciplinar envolvendo o empresário dentro da prisão. A defesa, dele, porém, havia sido informada que o depoimento sobre esse tema estava agendado para esta terça-feira (23). “Além da estranheza de haver questionamento prévio não agendado e sem a presença da sua defesa, na mesma oportunidade os policiais penais questionaram – e insistiram com o peticionário – sobre o seu interesse em realizar delação premiada sobre esta investigação”, afirmou a defesa do empresário em petição enviada ao ministro André Mendonça. Os policiais penais, que cuidam dos detentos na Papuda, não têm atribuição de participar das investigações do esquema do INSS e tampouco de fazer tratativas para uma delação premiada, que só podem ser feitas com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O empresário e seu filho estão detidos no Bloco IV da Papuda, uma ala destinada aos chamados presos vulneráveis, isto é, que possuem condição de saúde frágil. Eles foram presos no âmbito das investigações sobre o esquema de fraudes em descontos do INSS, que está sob a relatoria de André Mendonça. O empresário que ganhou apelido de Careca do INSS é acusado de ser um dos principais articuladores do esquema de fraudes, possuindo uma teia de empresas e de entidades em nome de laranjas que teria sido utilizada para desviar recursos de aposentados. Até o momento, a PF não fechou nenhum acordo de colaboração premiada no âmbito da investigação sobre fraudes no INSS. Procurada, a defesa do empresário não quis se manifestar. A reportagem enviou e-mail para a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do DF, mas ainda não obteve retorno.
Defesa diz que Careca do INSS foi pressionado sobre delação por agentes da Papuda
Advogados informaram ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que empresário foi retirado da cela sem aviso prévio e sem presença de sua defesa
Acusado de fraudes no INSS foi interrogado por agentes penitenciais sem aviso sobre delação premiada, violando protocolo de compliance. Episódio evidencia gaps graves de governance em órgãos que controlam dados sensíveis — padrão de risco para arquiteturas e decisões de compliance em sistemas críticos.











