Ocorrências aumentaram de 5.795 para 16.725 registros de ameaça, perseguição virtual, invasão de contas, divulgação não consentida de imagens íntimas, chantagem e uso de IA para criação de ‘deepfakes’ As denúncias de casos de violência contra mulheres no ambiente digital subiram 188,6% nos primeiros cinco meses de 2026 – em comparação ao mesmo período do ano passado. As ocorrências saltaram de 5.795 para 16.725, segundo levantamento do Ministério das Mulheres feito com base nos dados do Ligue 180 da Central de Atendimento à Mulher. Em entrevista à imprensa nesta segunda-feira (22), a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, disse que o aumento nas denúncias pode estar atrelado "ao nível de confiabilidade que as vítimas passaram a ter no canal", mas frisou que "diminuir as subnotificações é fundamental". Diante do aumento de casos, o governo começou uma atualização da central de atendimento ‘Ligue 180’ para aprimorar o reconhecimento e o acolhimento, além de orientar vítimas e denunciantes de violência digital. Para isso, o governo está investindo na capacitação das atendentes e na reformulação do sistema de registro. São classificados como crimes praticados no ambiente digital: ameaça, perseguição virtual, invasão de contas, divulgação não consentida de imagens íntimas, chantagem e uso de inteligência artificial para criação de ‘deepfakes’. “Investir na qualificação é fortalecer a capacidade de resposta do Estado e garantir que as mulheres encontrem no Ligue 180 um acolhimento preparado e resolutivo”, afirmou a coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa. Entre as ações de treinamento para melhoria do serviço às vítimas de violências estão orientações de como preservar provas, acionar as plataformas digitais e registrar boletim de ocorrência. A qualificação integra a campanha nacional "O Digital é Nosso Lugar", lançada pelo Ministério das Mulheres para afirmar a “internet como espaço de cidadania, liberdade e proteção para todas”. Segundo a pasta, a ação busca refletir também os avanços dos decretos sancionados pelo presidente Lula em maio deste ano. Um dos decretos atualiza a regulamentação do Marco Civil da Internet, estabelecendo mecanismos de prevenção e combate à circulação massiva de conteúdos criminosos na internet, e o outro estabelece novas diretrizes para a proteção de mulheres no ambiente digital. “Ter os dados da realidade é muito importante, porque a gente só vai acertar nas respostas pelos governos, pelas políticas públicas, quando a gente tiver mais realismo nas informações”, destacou a ministra Márcia Lopes. Lopes enfatizou ainda que projetos de lei como o que equipara a misoginia ao crime de racismo são necessários para esse combate à violência contra mulheres no ambiente digital. “Esse projeto da misoginia é imprescindível nesse combate, por isso nós estamos empenhados para que ele avance no Congresso”, pontuou. O projeto de lei que tipifica a misoginia como crime teve o parecer aprovado, de forma simbólica, no grupo de trabalho da Câmara dos Deputados que analisa o texto, na semana passada. No entanto, após uma reunião de líderes, ficou definido que a análise do requerimento de urgência e do mérito do PL só deve ocorrer na última semana de junho. — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo