"Isso vai mudar hoje à noite. Esse resultado muda essa situação. Esse resultado vai criar um país que funciona de forma justa para todos. As pessoas daqui votaram pela mudança, votaram por mais poder para o norte e para todos os lugares esquecidos por Westminster. Agora, vamos devolver isso a elas."

O discurso, em qualquer língua, soa de oposição, mas foi feito por Andy Burnham ao ser eleito membro do Parlamento britânico na semana passada. A pequena eleição no distrito de Markerfield pavimentou o caminho para o ex-prefeito da Grande Manchester se tornar o próximo primeiro-ministro do Reino Unido.

Burnham, que teve mais votos do que os candidatos da ultradireita somados, já parecia falar como o substituto de Keir Starmer, antevendo os acontecimentos desta segunda-feira (22). Seu colega de Partido Trabalhista anunciou a renúncia e disse que ficará no cargo até que a legenda decida por um pleito interno.

Ou, se não houver outros candidatos, até que Burnham seja ungido como o sétimo premiê britânico no espaço de uma década. Não por coincidência, dez anos de brexit, o controverso plebiscito que determinou a saída do Reino Unido da União Europeia.

Burnham, 56, é um trabalhista histórico, mas de fato marcará uma mudança em Downing Street se alcançar o poder. Integrante da ala mais à esquerda do partido, deve romper com a tentativa de linha suave adotada por Starmer, supostamente a razão de seu sucesso eleitoral há dois anos.