O PIB brasileiro cresceu 1,4% no segundo trimestre de 2026, impulsionado pelo consumo das famílias, agronegócio, indústria extrativa e pelo desempenho do setor de serviços. No entanto, se observar mais a fundo, o que mais se vê são pessoas reclamando que a ida ao mercado se tornou quase tão assustadora quanto dois homens em cima de uma moto numa rua escura. O Brasil cresce, mas é um crescimento que, quase ironicamente, parece ter alergia ao andar de baixo.
Enquanto os relatórios do Banco Central são emitidos acima da expectativa da entidade “mercado”, o IPCA de alimentos segue pressionando o orçamento de quem gasta a maior parte da renda na mesa. De imóvel até carne bovina, a classe média brasileira tem dificuldade para fazer coisas que são sinais de prosperidade: o consumo cotidiano e a construção de patrimônio.
A alimentação em casa subiu 1,65%, com influência de itens básicos da mesa do brasileiro como a batata-inglesa (+44,69%), o tomate (+20,62%) e a cebola (+16,80%), de acordo com o IBGE. A taxa Selic, mantida em patamares restritivos, opera como uma âncora que trava o crédito para pequenas e médias empresas. Não se compra imóvel, não se amplia negócio, não gera empregos e não se cria renda. Ao se deparar com a euforia dos dados do crescimento do PIB, percebe-se que entre os números agregados esconde-se a desigualdade.








