Na última edição da Semana de Design de Milão, grandes grifes ocuparam galerias, pátios e espaços históricos da cidade para apresentar instalações, colaborações com arquitetos e designers, além de edições limitadas de objetos que transitam entre o funcional e o colecionável. A sueca H&M fez sua estreia na Semana de Design de Milão com uma coleção para vestir a casa assinada pela estrelada designer Kelly Wearstler. Móveis e objetos como este vaso escultural encantaram o público que visitou a exposição armada no histórico Palazzo Acerbi. “Foi uma das surpresas mais interessantes da design week”, atesta a arquiteta carioca Bianca da Hora. “O que mais me chamou a atenção foi a capacidade de traduzir uma linguagem sofisticada e autoral para os espectadores, sem perder identidade. É um movimento que reforça como as fronteiras entre moda, arte e interiores estão cada vez mais fluidas.” O lançamento oficial da coleção será em setembro. H&M estreia segmento de Casa na Semana de Design de Milão — Foto: Divulgação Armani Lançamentos da Armani Casa na semana de design de Milão — Foto: Divulgação Ambientações inspiradas na residência de Giorgio Armani (1934-2025) formaram o cenário montado para apresentar a primeira coleção Armani/Casa após a morte de seu criador. Entre os lançamentos, a mesa de jogos Borgonuovo, com inspiração art déco e feita em madeira de ébano com tampo central giratório que revela um tabuleiro de xadrez e damas. Ao redor, cadeiras Classic, com estofado em jacquard Brighton. Um luxo de jogo. Lançamentos da Armani Casa na semana de design de Milão — Foto: Divulgação Dior Iluminárias Dior — Foto: Divulgação A nova coleção de luminárias Corolle, criadas em colaboração com o designer francês Noé Duchaufour-Lawrance, foi revelada em uma sala imersiva, decorada com milhares de flores feitas à mão, em fibra natural, no Palazzo Landriani. No desenho das peças feitas em vidro soprado de Murano e bambu trançado do Japão, homenagem ao New Look, lançado por Christian Dior no desfile de 1947. Luminárias Dior — Foto: Divulgação Hermès Hermès — Foto: Divulgação Pela primeira vez, o paládio — metal nobre já usado nas fivelas de bolsas e cintos — surge na forma de vasos, jarros e centros de mesa da nova linha home da Hermès. De pertinho, nota-se a precisão do acabamento martelado à mão. “É fascinante ver como a marca consegue valorizar a pureza da matéria-prima e o desenho essencial”, ressalta Bernardo Gaudie-Ley, da Beta Arquitetura. Hermès — Foto: Divulgação Gucci Gucci — Foto: Divulgação Foi um acontecimento, unindo moda, arte e história. A exposição “Gucci Memoria” conseguiu traduzir a trajetória da marca em 12 tapeçarias monumentais, com curadoria assinada por Demna Gvasalia, diretor criativo da casa italiana. As peças fazem alusão a eras autorais, marcadas por nomes como Tom Ford, Frida Giannini e Alessandro Michele. “Demna reinterpretou os 105 anos da grife por meio de cenas inspiradas na estética do Renascimento, que foi marcado pela valorização da criatividade, pela transformação cultural e por inovação”, ressalta Larissa Allemand, da Galeria Hathi. O arquiteto Fabiano Ravaglia, do FPR Studio, completa: “O que mais me impressionou foi a escolha da tapeçaria em si. É uma técnica artesanal típica de Florença, o que conecta tudo às raízes da etiqueta de um jeito muito genuíno”. Gucci — Foto: Divulgação Issey Miyake Issey Miyake — Foto: Divulgação Pouca gente sabe, mas por trás do icônico plissado de Issey Miyake há um volumoso descarte de papel. Em um processo de reciclagem e ressignificação, essa matéria-prima deu forma a poltronas e banquetas, na mostra “The paper log: Shell and core”, em cartaz no showroom da marca japonesa em Milão, durante o Salone del Mobile. “Dizer que Issey Miyake faz moda é limitar sua genialidade. Ele arquiteta formas. E visitar a instalação foi testemunhar a poesia exata dessa transição do vestuário para o mobiliário”, exalta a arquiteta carioca Paula Neder. “De um lado, o peso denso e a força do papel comprimido; de outro, estruturas aéreas, maleáveis, que parecem nuvens. Peso e leveza em perfeito equilíbrio, provando que o design têxtil e a arquitetura compartilham a mesma alma construtiva.” Issey Miyake — Foto: Divulgação Loro Piana Loro Piana — Foto: Divulgação Depois de uma barulhenta e cinematográfica colaboração com o Dimorestudio em 2025, o silêncio absoluto. Em uma clara celebração do quiet luxury que tornou seus cashmeres desejados no mundo todo, a Loro Piana apresentou neste abril uma discreta exposição que revisita a manta — peça ligada às origens da marca — como laboratório de materiais, técnicas e texturas, intitulada “Studies, Chapter I: On the plaid”. Ano que vem, tem mais. Loro Piana — Foto: Divulgação