O exército dos Estados Unidos realizou um novo ataque aéreo, no domingo, contra uma embarcação de alegados traficantes de droga no mar das Caraíbas, matando dois homens e deixando outros seis náufragos, segundo autoridades. O ataque, anunciado na noite de domingo, eleva para mais de 210 o número total de mortos, desde que a Administração do Presidente Donald Trump iniciou a ofensiva, em Setembro.Numa mensagem publicada na rede social X, o Comando Militar dos EUA para a América Latina e as Caraíbas (Southcom) declarou que o navio estava a "navegar por rotas conhecidas de tráfico de droga nas Caraíbas". Imagens de vídeo a preto e branco que acompanhavam a mensagem mostravam um barco a deslocar-se na água antes de ser atingido por um projéctil e engolido por uma violenta explosão.Nenhum militar norte-americano ficou ferido, informou o comando. O Southcom mencionou que o ataque deixou "seis homens sobreviventes" e disse que notificou imediatamente a Guarda Costeira dos EUA para activar o sistema de busca e salvamento dos náufragos. Segundo avançou a estação norte-americana NBC, permanece por esclarecer se os sobreviventes deste ataque, bem como os dois homens que sobreviveram a uma operação realizada na passada terça-feira, chegaram a ser resgatados. Em ambos os casos, os comandos militares norte-americanos disseram ter alertado a Guarda Costeira dos EUA, mas o Pentágono não respondeu às questões sobre o desfecho das operações de salvamento.Este é o segundo ataque a deixar sobreviventes no espaço de uma semana. Em 16 de Junho, um outro ataque causou dois náufragos. Um dia depois, a Guarda Costeira norte-americana afirmou ter suspendido as buscas por sobreviventes sem encontrar "qualquer sinal de sobreviventes ou destroços". A Administração de Donald Trump nunca apresentou provas concretas que permitissem afirmar que os navios visados estavam efectivamente envolvidos no tráfico. Segundo a NBC, tal como aconteceu na maioria dos comunicados relativos aos ataques realizados no Pacífico oriental e no mar das Caraíbas, os militares norte-americanos limitaram-se a afirmar que as embarcações navegavam por rotas conhecidas de tráfico, sem apresentarem provas de que transportavam droga.Especialistas e responsáveis da ONU denunciaram estas execuções extrajudiciais. Os Estados Unidos lançaram a missão em Setembro na área de responsabilidade do Southcom, que foi activada com o objectivo principal de aumentar a pressão sobre o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, depois capturado numa operação militar norte-americana em Caracas e levado para Nova Iorque parra julgamento, a 3 de Janeiro. Em paralelo, Washington conduz desde então uma campanha de ataques no Pacífico e nas Caraíbas contra navios que são apresentados como participando em actividades de tráfico de droga, alegadamente destinada aos Estados Unidos.