Ator e roteirista Brendan Hunt conversou com exclusividade com o GLOBO 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Coach Beard (Brendan Hunt) e Ted Lasso (Jason Sudeikis) — Foto: Divulgação Apple TV RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você A quarta temporada da série estreia em agosto com foco no futebol feminino. O protagonista dividirá o comando técnico com uma nova treinadora. Brendan Hunt explicou que o Richmond era modesto demais para atrair atletas do Brasil. Atualmente, o cenário mudou com brasileiros em clubes ingleses menores. Fora das telas, o cocriador criticou duramente os preços dos ingressos para a Copa de 2026. Ele acusou a Fifa de elitizar o esporte nos Estados Unidos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ator e roteirista americano Brendan Hunt mostra, pela câmera do Zoom, um bonequinho do jogador de futebol Gabriel Jesus, atacante brasileiro da equipe inglesa do Arsenal, time de coração do artista. Nascido em Chicago, Hunt conheceu o beautiful game no fim dos anos 1990, quando morou na Holanda, e virou um fanático. Esta expertise o ajudou a cocriar “Ted Lasso”, uma das séries de maior sucesso da Apple TV ao mostrar os desafios do técnico boa praça Ted (Jason Sudeikis, também ator, criador e roteirista, na foto maior), um treinador de futebol americano que vai para Inglaterra dirigir um time (de futebol mesmo) aos pandarecos. Depois de um hiato de três anos, a produção volta para a quarta temporada no dia 5 de agosto, agora centrada na equipe feminina do fictício AFC Richmond. Hunt continua no elenco como Coach Beard, assistente do protagonista, juntamente com Hannah Waddingham (no papel de Rebecca, a dona do clube) e Brett Goldstein (o craque aposentado Roy Kent). —Muitas das pistas sobre o que está por vir estão na montagem final do último episódio da terceira temporada — conta Hunt ao GLOBO. — Tentamos fazer algo com o espírito de antes, sem simplesmente repetir o que já fizemos. Brendan detalha como será a dinâmica em campo: Ted e Coach Beard vão dividir o comando do time com Alice (a atriz Tanya Reynolds, de “Sex education”). —Trabalhamos juntos como um trio de treinadores. A dinâmica é um pouco mais sutil porque, de início, Ted precisava conquistar todo mundo, já que ninguém o conhecia. Agora, ele já tem uma reputação consolidada e um histórico de sucesso. Por outro lado, está entrando num mundo novo. O futebol feminino é diferente. Por isso, ele e o Beard precisam de alguém que lhes mostrem como as coisas funcionam. Alice entra aí. “Ted Lasso”, vencedora de 13 Emmys,inclusive de melhor comédia em 2021 e 2022, nasceu de uma esquete humorística da dupla Brendan Hunt e Jason Sudeikis, no início dos anos 2000, sobre esse treinador bonachão. Em 2013, Jason o interpretou pela primeira vez na TV, nos comerciais do canal NBC Sports feitos para promover a transmissão do campeonato de futebol inglês. Foi um hit no YouTube, instigando-os a expandir o universo em 2020. No streaming da Apple, o estilo caótico, otimista, ingênuo e afetuoso do personagem foi um afago na audiência confinada nas incertezas da pandemia de Covid-19. Quarta temporada de 'Ted Lasso' — Foto: Divulgação A ideia original sempre foi ter três temporadas, mas o sucesso de crítica e público (especialmente nas duas primeiras) foi tão grande que o último episódio deixou margem para os criadores mudarem de ideia. —O plano era realmente encerrar a história. Mas, quando chegamos ao fim, pensamos: “Nossa, subestimamos o quanto as pessoas e nós mesmos gostariam da série” — diz. —Sabíamos que precisávamos parar por um tempo, mas deixamos algumas migalhas de pão e pistas, caso mudássemos de ideia mais tarde. Pessoalmente, fico muito feliz por termos recobrado o bom senso. É gol da Alemanha Enquanto a reestreia não chega, Brendan está em campo — em casa — na Copa do Mundo de 2026. Ele e a apresentadora da Fox Sports Rebecca Lowe comandam, durante o torneio, o videocast da Apple Podcasts “After the whistle” (“Depois do apito”, em tradução livre), onde comentam as partidas. O empate de zero a zero entre Espanha e Cabo Verde, para ele, “não se qualifica para o a panteão de resultados mais decepcionantes de uma Copa, mas está quase lá”. Lugar onde está, com certeza, o 7x1 entre Alemanha e Brasil em 2014. —Estava aqui (em Los Angeles) nesse dia. Encontrei um bar brasileiro e fui assistir ao jogo lá, vestindo uma camiseta verde e amarela. Aprendi sobre futebol na Holanda, então naturalmente sempre torço contra a Alemanha em qualquer circunstância possível. Foi um dia muito duro. Na fase de grupos daquele fatídico ano, Brendan rodou o Brasil. Foi a três dos quatro jogos dos Estados Unidos (o país até se classificou para as oitavas de final, mas foi eliminado pela Bélgica) e também a um Bélgica x Coreia do Sul, visitando as cidades de Natal, Manaus, São Paulo e Salvador. — Fui ao Brasil e não estive no Rio, acredita? Espero poder voltar ano que vem para a Copa do Mundo Feminina. Já está no meu calendário — diz ele, sobre o torneio que será sediado, com abertura (dia 24 de junho) e final (25 de julho) marcadas para acontecer no Maracanã. Cadê nossos talentos? Com dificuldade de seguir o nosso futebol (“o sistema de vocês é bem complicado, por causa dos campeonatos estaduais, mas acompanho a Libertadores quando entra na reta decisiva”, diz ele), Brendan Hunt sai pela tangente com bom humor (e uma dose de ironia) ao explicar por que, nas três temporadas de “Ted Lasso”, não há nenhum atleta brasileiro. O país é mencionado muito rapidamente numa cena pelo diretor do AFC Richmond, Leslie Higgins (o ator Jeremy Swift). —Quando a série começou, parecia uma loucura imaginar que um brasileiro fosse atuar em um clube tão modesto quanto o Richmond. Hoje o cenário é diferente. A seleção brasileira tem jogadores de times como Brentford e Bournemouth — diz ele, referindo-se aos atacantes Igor Thiago e Rayan, convocados por Carlos Ancelotti para o torneio deste ano e parte de times ingleses considerados de pequeno porte, ainda que da primeira divisão. Brincadeiras à parte, o americano fala sério e ecoa as inúmeras críticas de torcedores do mundo inteiro em relação aos preços exorbitantes dos ingressos desta Copa do Mundo. Segundo o New York Times, assistir à final do Catar, em 2022, chegava a custar US$ 1 mil. Hoje, chega a US$ 10 mil. Diante dessas cifras, procuradores dos estados de Nova York e Nova Jersey anunciaram uma investigação sobre a venda de entradas, e a deputada democrata Sydney Kamlager-Dove acusou a Fifa de “extorsão”. Até a presidente do México, Claudia Sheinbaum, se pronunciou, dizendo que “os ingressos estão caros”. “Melhor eu ceder meu lugar para alguém que não pôde ir, que ama futebol, especialmente uma mulher jovem”, disse ela,ao justificar sua ausência no Estádio Azteca no dia da abertura. —A Fifa parece estar fazendo tudo o que pode para acabar com a atmosfera nos estádios ao afastar os torcedores de verdade com os preços — diz Brendan. —Ela gosta de dizer que quer fazer o futebol crescer aqui, mas não liga, de fato, em desenvolver o esporte no país. O que interessa é usar os Estados Unidos como uma máquina de fazer dinheiro. Mas espero que o torneio em si seja tão incrível quanto as Copas do Mundo costumam ser e que sejamos contagiados por esse clima. Bolão do Coach Quem levanta a taça: “Uma das potências vence. Não acredito que haja uma grande surpresa. Apostaria em Espanha, França ou Inglaterra. Mas a Inglaterra vai sofrer bastante com o calor”, diz Hunt. Goleador: “É difícil apostar num artilheiro que não seja o Harry Kane (atacante inglês). Acho que o Thomas Tuchel (alemão, técnico da Inglaterra) assumir a seleção inglesa tem muito a ver com tirar o máximo proveito do Kane enquanto ainda dá para contar com ele. Por isso, acredito que ele marca mais gols do que qualquer outro jogador. Mas o Kylian Mbappé (atacante francês) também vai estar nessa briga”. Para constar: os dois jogadores fizeram dois gols em suas estreias, nos jogos Inglaterra 4 x 2 Croácia x e França 3 x 1 Senegal. Com o desempenho, Mbappé já ultrapassou a marca de gols de Pelé em Copas (12). Lesionado por lesionado...: “Se eu fosse o Carlos Ancelotti, ou qualquer outro técnico, ficaria muito mais animado em levar o Estevão do que Neymar. Ele está no Chelsea, tem 19 anos e eu, como torcedor do Arsenal, fico assustado com ele”. Detalhe: Ancelotti não levou o rapaz para os Estados Unidos porque ele está machucado, como Neymar.
Coach Beard detalha quarta temporada de 'Ted Lasso' e explica por que não há jogador brasileiro no AFC Richmond
Ator e roteirista Brendan Hunt conversou com exclusividade com o GLOBO











