Olá.Ontem, enquanto o feriado decorria em Portugal, o elenco e autores de House of the Dragon trabalhavam arduamente em Londres a promover a terceira temporada da série da HBO Max. Daenery… Não, Rhaenyra Targaryen e companhia voltam dia 21 e se a memória falha não é por acaso. A última vez que ouviu falar destes Targaryen foi há dois anos.Há duas semanas, Pip Fitz-Amobi voltou à Netflix. É a protagonista de O Homicídio Perfeito Um Guia Para Boas Raparigas e quem viu a primeira temporada, há dois anos, e não teve de recapitular para recordar quem raio morreu na primeira, quem é o mau e quem é quem, no fundo, merece um prémio qualquer do streaming.O ano começou com o fim de Stranger Things e os seus miúdos já com barba enfrentaram seguramente o monstro da amnésia dos fãs, porque já não tinham notícias de Hawkins desde o Verão de 2022. Muito boa gente reviu as temporadas anteriores (bom para o negócio da Netflix) para recuperar o fio à meada. Mais exemplos: três anos entre temporadas de Severance (Apple TV), dois anos e meio entre a estreia e a segunda leva de Wednesday (Netflix).O espectador português já passou por várias mudanças na caixa de velocidades televisiva: esperar com muito diferimento pelas séries americanas, sem saber sequer quanto tempo estava atrasado, viver o cabo e recuperar o tempo perdido, experimentar o simultâneo nos generalistas nas "grandes séries" e entrar de chapão no streaming e na promessa de tudo em todo o lado e ao mesmo tempo. Agora, vive o drama global: as séries chegam quando puderem chegar.Já não vale a ladainha da pandemia e das greves que atrasaram a produção nos últimos anos. A consultora Ampere Analysis revelou, segundo a revista The Hollywood Reporter, que estamos num pico de separação entre temporadas made in América. Gradualmente, o hiato entre temporadas duplicou na última década. E arriscamos dizer que é o efeito A Guerra dos Tronos. Já quando o último grande fenómeno de televisão de massas em série terminou se previa que a fantasia e a ambição cinematográfica iriam ser a grande aposta da década seguinte.E com grandes apostas em efeitos visuais vêm grandes responsabilidades. É conhecida a crise vivida no sector dos efeitos especiais, em que há sobrecarga de trabalho, slop de IA e muitas solicitações para prazos impossíveis e muitos projectos. E por isso, com tantos dragões e "innies" e "outies", a produção, especialmente a pós-produção, demora mais tempo.Por um lado, o espectador tende a rever o que ficou para trás e por isso não prejudica a plataforma. Por outro, o espectador pode fartar-se, cancelar a sua assinatura e só a retomar quando a série voltar. Cada vez é mais fácil entrar e sair, um zapping financeiro que tem de ser tido em conta pelos serviços.O que anda a ver